"A verdadeira religião é a reforma íntima dos indivíduos, o que não se consegue com dogmas, rituais, cultos e outras formas exteriores de religiosidade." - José Carlos Leal
sexta-feira, 19 de julho de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Por que a comunidade científica internacional não aceita as provas da espiritualidade?
William
Crookes, um dos homens de ciência que mais contribuíram para a propagação das
provas da imortalidade da alma através de ensaios patentes que empreendeu ao
dedicar-se ao estudo dos fenômenos mediúnicos produzidos por Florence Cook,
recebeu a ameaça de ser excluído da Royal Society, uma instituição
conceituadíssima instalada em Londres cujo objetivo é a promoção do
conhecimento científico. Quais foram as causas de tal ameaça? Segundo o livro A História do Espiritismo,
redigido por Arthur Conan Doyle, o egrégio químico William Crookes recebeu a
cominação devido ao seu envolvimento com as pesquisas que desenvolveu para
reprovar ou comprovar a veracidade dos fenômenos espíritas. Após observar os
fatos mediúnicos com o auxílio e a aplicação de seus rigorosos métodos de
análise científica, Crookes concluiu que nada daquilo que estudou era apenas
possível, mas sim, real.
Hoje, em adição, podemos elencar como ínclitos representantes da ciência espiritualista pesquisadores como Dean Radin, um célebre investigador de fenômenos mediúnicos membro do Instituto de Ciências Noéticas do norte da Califórnia. Temos também Julio Peres e Andrew Newberg, que coordenaram uma pesquisa inédita que usou equipamentos de última geração para investigar o cérebro dos médiuns durante o transe. Isso, sem mencionar os cientistas brasileiros como Sérgio Felipe Oliveira.
Lastimável, entretanto, que apesar disso a "ciência oficial" se obstina e assim desdenhe a verdade. Até quando os materialistas se deixarão de dissentir com algo óbvio e que já foi demonstrado ser autêntico? Só o tempo dirá, ou não. Quem sabe, somente Deus tem conhecimento no tocante à tenacidade do materialismo.
Existem outras razões para que consideremos as ciências espiritualistas como pautadas na verdade. Sabemos que sempre houve, por parte da comunidade científica, intensa relutância em relação a novas descobertas, principalmente aquelas que poderiam abalar as estruturas de concepções que durante muito tempo foram reconhecidas como verdades irrefragáveis e que seria absurdo contestá-las. Tampouco, por tais motivos, foi o Espiritismo aceito por toda a ciência oficial quando teve iniciada a sua formação, visto que a ciência comum desde eras imemoriais sustenta ideologias materialistas segundo as quais não existe nada senão o princípio material. Ora, dificilmente poderíamos crer que a ciência em algum momento concordaria com as descobertas da Doutrina Espírita, já que estas são capazes de causar um visceral ataque aos dogmas do materialismo, fazendo esboroar toda o seu edifício. Apesar disso, como já comentei em parágrafos predecessores, muitos foram os homens de ciência que se inclinaram diante dos fatos e abandonaram a filosofia materialista, sob pena de terem sido relegados ao esquecimento como se nada tivesse sido por eles revelado.
No mais, reiterando o que já salientei, os fenômenos estudados pela ciência tradicional repousam sobre efeitos gerados unicamente em função da matéria. O campo de pesquisa do Espiritismo refere-se às fenomenologias que têm como causa o princípio espiritual. Os fenômenos espirituais, para que sejam produzidos, carecem de certas condições que somente o estudo prévio da Doutrina Espírita pode aclarar. Além disso, os Espíritos são seres munidos de vontade própria; não são seres inanimados como substâncias químicas que se podem manipular indefinidamente, logo, não se sujeitam aos nossos caprichos e escapam aos processos convencionais de laboratório. Assim, a ciência oficial pronunciou o juízo temerário de que todo tipo de fenômeno espírita não é nada mais que um embuste, por ter pretendido analisar a espiritualidade como o fazem com os fenômenos químicos e físicos.
Por fim, deixo para a reflexão de vocês um parecer de Kardec sobre o que estou a explanar:
"Compreender os fatos, mediante antecipado conhecimento teórico. Para estas pessoas, a teoria constitui um meio de verificação, sem que coisa alguma as surpreenda, nem mesmo o insucesso, porque sabem em que condições os fenômenos se produzem e que não se lhes deve pedir o que não podem dar. Assim, pois, a inteligência prévia dos fatos não só as coloca em condições de se aperceberem de todas as anomalias, mas também de apreenderem um sem número de particularidades, de matizes, às vezes muito delicados, que escapam ao observador ignorante. " - Allan Kardec
A reação da
Royal Society em face à descoberta do eminente cientista demonstrou seu cabal
repúdio e parcialidade para com os feitos de William Crookes: seu vínculo com a
referida entidade científica estaria sujeito ao cancelamento caso persistisse
em continuar as suas pesquisas inerentes à espiritualidade. Apesar disso,
jamais ele se retratou no tocante ao que corroborou.
Fatos como
os que relatei acima ocorrem desde há muito tempo. Cientistas e homens de
notório saber são repudiados pela comunidade científica internacional de
maneira arbitrária quando aqueles expõem as provas da existência de espíritos e
das comunicações do plano espiritual com o mundo físico. Declara a
"ciência oficial" que as pesquisas científicas a partir das quais
conclui-se a veracidade da fenomenologia espiritualista são improcedentes e
nada mais que embustes ou charlatanismo, sem que sequer apresentem uma
contraprova para conferirem sustentação plausível para a sua relutância.
Os membros da comunidade científica internacional nem ao menos
explicam as razões pelas quais não aceitam as provas da existência de espíritos
e da realidade de fenômenos mediúnicos mesmo após notáveis homens que
pertenciam ao escol da ciência como os citados na lista abaixo, que
tive a liberdade de extrair do link http://www.guia.heu.nom.br/grandes_cientistas.htm:
·
Barret, William Fletcher (1845-1926)
·
de Rochas, Eugène Auguste Albert
(1837-1914)
·
Delanne, Gabriel (1857-1926)
·
Dessoir, Prof. Max (1867-1947)
·
Du Prel, Carl Freiherr (1839-1899)
·
Fechner, Gustav Theodor (1801-1887)
·
Geley, Gustave (1868-1924)
·
Maxwell, Joseph (1858-1915)
·
Myers, Frederic William Henry
(1843-1901)
·
Ochorowicz, Julian (1850-1917
Hoje, em adição, podemos elencar como ínclitos representantes da ciência espiritualista pesquisadores como Dean Radin, um célebre investigador de fenômenos mediúnicos membro do Instituto de Ciências Noéticas do norte da Califórnia. Temos também Julio Peres e Andrew Newberg, que coordenaram uma pesquisa inédita que usou equipamentos de última geração para investigar o cérebro dos médiuns durante o transe. Isso, sem mencionar os cientistas brasileiros como Sérgio Felipe Oliveira.
Lastimável, entretanto, que apesar disso a "ciência oficial" se obstina e assim desdenhe a verdade. Até quando os materialistas se deixarão de dissentir com algo óbvio e que já foi demonstrado ser autêntico? Só o tempo dirá, ou não. Quem sabe, somente Deus tem conhecimento no tocante à tenacidade do materialismo.
Existem outras razões para que consideremos as ciências espiritualistas como pautadas na verdade. Sabemos que sempre houve, por parte da comunidade científica, intensa relutância em relação a novas descobertas, principalmente aquelas que poderiam abalar as estruturas de concepções que durante muito tempo foram reconhecidas como verdades irrefragáveis e que seria absurdo contestá-las. Tampouco, por tais motivos, foi o Espiritismo aceito por toda a ciência oficial quando teve iniciada a sua formação, visto que a ciência comum desde eras imemoriais sustenta ideologias materialistas segundo as quais não existe nada senão o princípio material. Ora, dificilmente poderíamos crer que a ciência em algum momento concordaria com as descobertas da Doutrina Espírita, já que estas são capazes de causar um visceral ataque aos dogmas do materialismo, fazendo esboroar toda o seu edifício. Apesar disso, como já comentei em parágrafos predecessores, muitos foram os homens de ciência que se inclinaram diante dos fatos e abandonaram a filosofia materialista, sob pena de terem sido relegados ao esquecimento como se nada tivesse sido por eles revelado.
No mais, reiterando o que já salientei, os fenômenos estudados pela ciência tradicional repousam sobre efeitos gerados unicamente em função da matéria. O campo de pesquisa do Espiritismo refere-se às fenomenologias que têm como causa o princípio espiritual. Os fenômenos espirituais, para que sejam produzidos, carecem de certas condições que somente o estudo prévio da Doutrina Espírita pode aclarar. Além disso, os Espíritos são seres munidos de vontade própria; não são seres inanimados como substâncias químicas que se podem manipular indefinidamente, logo, não se sujeitam aos nossos caprichos e escapam aos processos convencionais de laboratório. Assim, a ciência oficial pronunciou o juízo temerário de que todo tipo de fenômeno espírita não é nada mais que um embuste, por ter pretendido analisar a espiritualidade como o fazem com os fenômenos químicos e físicos.
Por fim, deixo para a reflexão de vocês um parecer de Kardec sobre o que estou a explanar:
"Compreender os fatos, mediante antecipado conhecimento teórico. Para estas pessoas, a teoria constitui um meio de verificação, sem que coisa alguma as surpreenda, nem mesmo o insucesso, porque sabem em que condições os fenômenos se produzem e que não se lhes deve pedir o que não podem dar. Assim, pois, a inteligência prévia dos fatos não só as coloca em condições de se aperceberem de todas as anomalias, mas também de apreenderem um sem número de particularidades, de matizes, às vezes muito delicados, que escapam ao observador ignorante. " - Allan Kardec
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Bíblia Sagrada: Um livro homofóbico
Quem já leu ou ouviu
falar nos princípios preconceituosos que encerram algumas passagens bíblicas
que tocam ao tema homossexualidade?
Há quem baseie suas convicções em trechos da Bíblia que se opõem à união
homoafetiva, não importa se o convênio estabelecido entre o casal homossexual
envolva amor genuíno. Muitos infelizmente seguem os dogmas bíblicos relativos à
homossexualidade, como se Deus, que é totalmente justo e bom, fosse um ser
intolerante e um adversário de pessoas que se sentem atraídas por quem é do mesmo sexo que elas. Será mesmo que os cristãos conservadores creem sinceramente servir a um Deus amoroso? Bem difícil acreditar nisso em
face das evidências canônicas.
Se um dogma incute a Deus um atributo que o torna preconceituoso, é bem lógico
que essa doutrina deva ser rechaçada por ser obsoleta e intolerante.
Eis os textos que alguns cristãos consideram corretos e utilizam para
justificar o que acreditam:
“Pelo que Deus os entregou a paixões
infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à
natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher,
se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão,
cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.”
Romanos 1:26-27
“Não te deitarás com varão, como se fosse
mulher; é abominação.” - Levítico
18:22
“Quando
também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram
abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.” - Levítico 20:13
“Não sabeis que os injustos não herdarão
o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os
adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas.” - 1 Coríntios 6:9
Abominação é ser ceifada o privilégio que todo ser humano tem de se aderir à
orientação sexual de sua preferência, conforme é explícita nos trechos
supracitados a aversão de Jeová pela prática homossexual.
Diversos cristãos conservadores retrucam os questionamentos comentados no
presente capítulo, redargüindo que Deus criou apenas macho e fêmea e
estabeleceu que existe a união matrimonial entre quem possui sexos desiguais,
no entanto, de acordo os princípios que defendo, para Deus é irrelevante a genitália
de cada um aqui na Terra. O que o Criador reprova é a ausência de amor em
muitos relacionamentos, o que acarreta o descalabro dessas relações ou a
degeneração delas. Além disso, dizer que o ensinamento dos trechos citados acima
provêm de Deus é insultar o Criador, que não detém em si nenhuma forma de
preconceito ou intolerância. Deus é amor e quaisquer manifestações desta
virtude, desde que não violem a máxima de “amarás ao teu próximo como a ti
mesmo”, são válidas.
Testifico
a minha opinião nesta postagem acerca da homossexualidade, defendendo o ponto
de vista de que não há erro em sua prática. No entanto, desejo notificar que
não tenho certeza completa, não estou plenamente convicto de que a
homossexualidade se enquadra nos padrões divinos. Tenho ainda as minhas
dúvidas, porém, presumo com mais segurança de que Deus não é opositor da
homossexualidade.
sábado, 11 de maio de 2013
Por que, de acordo com o Espiritismo, a doutrina do inferno não existe?
Conforme a opinião de um famoso protestante que viveu no século XIX chamado Jonathan Edwards, o inferno é uma realidade. Não há pluralidade de existências, tampouco oportunidades ulteriores para nos ajustarmos às leis de Deus. O que a Doutrina Espírita tem a declarar em face aos argumentos do teólogo? O texto grifado em vermelho é de autoria de Jonathan Edwards. O que está em preto são os meus comentários.
“...como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?”
Gênesis 39:9
Deus é um ser infinitamente amável, porque Ele tem excelência e beleza infinita. Ter excelência e beleza infinita é a mesma coisa que ter infinito encanto. Ele é um ser de infinita grandeza, majestade e glória, e, portanto, Ele é infinitamente honrado.
Correto. Deus é perfeito em todos os seus atributos, pelo que é digno de receber todos os adjetivos elencados por este trecho do argumento de Jonathan Edwards. Embora adulações não convençam Deus a escoimar nossos Espíritos das imperfeições que possuímos.
Ele é infinitamente exaltado acima dos maiores soberanos da terra e os mais altos anjos no céu, e, portanto, Ele é infinitamente mais honrado do que todos estes. Sua autoridade sobre nós é infinita, e o chão firme e imutável do seu direito a nossa obediência é infinitamente forte, pois Ele é infinitamente digno de ser obedecido, e temos uma dependência absoluta, universal e infinita dEle. Assim, o pecado contra Deus, sendo uma violação das obrigações infinitas, deve ser um crime infinitamente hediondo e, portanto, merecedor de punição infinita.
Por que a punição é infinita?
Gênesis 39:9
Deus é um ser infinitamente amável, porque Ele tem excelência e beleza infinita. Ter excelência e beleza infinita é a mesma coisa que ter infinito encanto. Ele é um ser de infinita grandeza, majestade e glória, e, portanto, Ele é infinitamente honrado.
Correto. Deus é perfeito em todos os seus atributos, pelo que é digno de receber todos os adjetivos elencados por este trecho do argumento de Jonathan Edwards. Embora adulações não convençam Deus a escoimar nossos Espíritos das imperfeições que possuímos.
Ele é infinitamente exaltado acima dos maiores soberanos da terra e os mais altos anjos no céu, e, portanto, Ele é infinitamente mais honrado do que todos estes. Sua autoridade sobre nós é infinita, e o chão firme e imutável do seu direito a nossa obediência é infinitamente forte, pois Ele é infinitamente digno de ser obedecido, e temos uma dependência absoluta, universal e infinita dEle. Assim, o pecado contra Deus, sendo uma violação das obrigações infinitas, deve ser um crime infinitamente hediondo e, portanto, merecedor de punição infinita.
Segundo o Espiritismo, não existe violação contra as leis de Deus que não possa ser reparada. O esquema projetado por Deus para inaugurar o Universo foi baseado em um ordenamento em que não consta qualquer preceito que impõe uma pena de proporções sem termo definido, pois de acordo com o ensino dos Espíritos, Deus é para nós como um Pai cujo amor por seus filhos jamais cessa, virtude essa que é o motivo pelo qual o Criador nunca teve em mente outorgar uma penitência infinita.
Com efeito, podemos ao menos tentar mensurar quão espetacular é o amor de Deus por nós, uma vez que ainda que nós humanos nos recusemos a obedecer aos seus ordenamentos, não obstante logramos um sem número de ensejos para emendarmos nossas vidas e vivermos pautados nas leis do nosso Pai.
Portanto, a doutrina da reencarnação deveras nos desvela o amor infindo de Deus por nós, já que ele não reserva um lugar onde seria exilado mesmo o mais impuro de todos os Espíritos por toda a eternidade, pois a cada um Deus retribui conforme a soma de bem ou mal que tenhamos praticado aos nossos semelhantes, sempre havendo chances de restauração individual.
O Livro dos Espíritos, no item 171 (sem ironias com o número, por favor, rs), explana a plenitude da justiça divina que reside na reencarnação:
"171. Em que se funda o dogma da reencarnação?
"'Na justiça de Deus e na revelação, pois incessantemente repetimos: o bom pai deixa sempre aberta a seus
filhos uma porta para o arrependimento. Não te diz a razão que seria injusto privar para sempre da felicidade eterna todos aqueles de quem não dependeu o melhorarem-se? Não são filhos de Deus todos os homens? Só entre os egoístas se encontram a iniqüidade, o ódio implacável e os castigos sem remissão.'"
Em suma, a Doutrina Espírita repele o dogma de que Deus estabeleceu uma regra que, se violada, sujeitaria o infrator ao sofrimento eterno, pois a benevolência e misericórdia divinas não se coadunam com uma punição que é um flagelo atroz, tendo em vista que semelhante concepção reduziria o caráter divino ao de um déspota universal terrível, o que é uma blasfêmia e afronta a Deus.
Nada é mais agradável para o senso comum da humanidade de que os pecados cometidos contra qualquer pessoa deva ser proporcionalmente hediondo à dignidade do ser ofendido e maltratado.
De forma alguma. O próprio ordenamento jurídico do nosso país, que teve sua gênese na mente de homens falhos, estabelece a igualdade entre todos os cidadãos, não havendo por conseguinte a aplicação de sanções cujas gravidades se distinguem de acordo com o nível, classe social ou qualquer outra classificação em que nos inserimos, logo, as mesmas penas que devem ser impostas a um padre, bispo, monge, pai-de-santo, moralista e congêneres que perpetrarem alguma violação às leis nacionais, da mesma forma um modesto residente de uma comunidade àquelas estará sujeito caso cometa alguma transgressão de uma lei qualquer.
Somente um código de regras jurídicas sem fundamento no princípio da igualdade estimaria uma penalidade cuja intensidade fosse baseada em prerrogativas pessoais, pois uma legislação deve ser equitativa, não fazendo exclusão de pessoas, tratando a cada um de forma igualitária; indistintamente.
Tampouco faz Deus, a personificação da Perfeição, distinção entre nós. Todos, para Ele, somos seus filhos; ainda que alguns de nós necessitemos galgar mais degraus na escala espiritual que outros, mais avançados.
É evidente que Jonathan Edwards se equivocou bastante ao dizer que uma penitência deve estar em conformidade com características intrínsecas a cada indivíduo.
Este foi o agravamento do pecado que fez José temê-lo em Gênesis 39:9: “...como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” Este foi o agravamento do pecado de Davi em comparação com o qual ele estimava todos os outros como nada, porque era infinitamente grande o Deus ofendido por ele: "contra ti, contra ti somente, pequei" - Salmo 51:4
Este argumento firma-se em um artigo de fé que para os espíritas não teve origem em Deus. A Bíblia é sem dúvidas um compêndio de informações, histórias, contos, narrativas e um repositório de fatos relatados que ocorreram no passado com certos povos antigos. As Escrituras, de acordo com a ótica espírita, não constituem autoridade suprema que norteia a vida e a fé do homem.
O peso do castigo dos homens ímpios é infinito, e isso porque não temos palavras para expressar algo mais e maior do que infinito e, portanto, este castigo é proporcional à hediondez do que eles são culpados. Se houver algum mal ou culpabilidade em um pecado sequer contra Deus, certamente há nele um mal infinito.
Seria redundante eu ter de reiterar o que já comentei algures sobre a opinião de Jonathan Edwards acerca da condenação eterna de Deus imposta aos ímpios. Por isso, irei limitar-me a tecer a reflexão de que, se não fosse a misericórdia e o amor intermináveis do Pai Celestial por nós, talvez Ele de fato tivesse promulgado uma regra universal que, se violada, poderia acarretar nossa perdição eterna. Contudo, por nos amar de forma incomensurável, Deus nos oferece sempre a oportunidade de quitarmos nossas dívidas perante a sua majestade através da lei da pluralidade das existências, em vez de ter criado a penitência do ardente fogo infernal inextinguível que expressa nada mais que o furor de um ser que, segundo a paradoxal concepção de Edwards, nos ama incondicionalmente.
Recomendo a leitura de O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, para uma compreensão mais minuciosa no respeitante à Justiça divina.
De forma alguma. O próprio ordenamento jurídico do nosso país, que teve sua gênese na mente de homens falhos, estabelece a igualdade entre todos os cidadãos, não havendo por conseguinte a aplicação de sanções cujas gravidades se distinguem de acordo com o nível, classe social ou qualquer outra classificação em que nos inserimos, logo, as mesmas penas que devem ser impostas a um padre, bispo, monge, pai-de-santo, moralista e congêneres que perpetrarem alguma violação às leis nacionais, da mesma forma um modesto residente de uma comunidade àquelas estará sujeito caso cometa alguma transgressão de uma lei qualquer.
Somente um código de regras jurídicas sem fundamento no princípio da igualdade estimaria uma penalidade cuja intensidade fosse baseada em prerrogativas pessoais, pois uma legislação deve ser equitativa, não fazendo exclusão de pessoas, tratando a cada um de forma igualitária; indistintamente.
Tampouco faz Deus, a personificação da Perfeição, distinção entre nós. Todos, para Ele, somos seus filhos; ainda que alguns de nós necessitemos galgar mais degraus na escala espiritual que outros, mais avançados.
É evidente que Jonathan Edwards se equivocou bastante ao dizer que uma penitência deve estar em conformidade com características intrínsecas a cada indivíduo.
Este foi o agravamento do pecado que fez José temê-lo em Gênesis 39:9: “...como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” Este foi o agravamento do pecado de Davi em comparação com o qual ele estimava todos os outros como nada, porque era infinitamente grande o Deus ofendido por ele: "contra ti, contra ti somente, pequei" - Salmo 51:4
Este argumento firma-se em um artigo de fé que para os espíritas não teve origem em Deus. A Bíblia é sem dúvidas um compêndio de informações, histórias, contos, narrativas e um repositório de fatos relatados que ocorreram no passado com certos povos antigos. As Escrituras, de acordo com a ótica espírita, não constituem autoridade suprema que norteia a vida e a fé do homem.
O peso do castigo dos homens ímpios é infinito, e isso porque não temos palavras para expressar algo mais e maior do que infinito e, portanto, este castigo é proporcional à hediondez do que eles são culpados. Se houver algum mal ou culpabilidade em um pecado sequer contra Deus, certamente há nele um mal infinito.
Seria redundante eu ter de reiterar o que já comentei algures sobre a opinião de Jonathan Edwards acerca da condenação eterna de Deus imposta aos ímpios. Por isso, irei limitar-me a tecer a reflexão de que, se não fosse a misericórdia e o amor intermináveis do Pai Celestial por nós, talvez Ele de fato tivesse promulgado uma regra universal que, se violada, poderia acarretar nossa perdição eterna. Contudo, por nos amar de forma incomensurável, Deus nos oferece sempre a oportunidade de quitarmos nossas dívidas perante a sua majestade através da lei da pluralidade das existências, em vez de ter criado a penitência do ardente fogo infernal inextinguível que expressa nada mais que o furor de um ser que, segundo a paradoxal concepção de Edwards, nos ama incondicionalmente.
Recomendo a leitura de O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, para uma compreensão mais minuciosa no respeitante à Justiça divina.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Desmentindo o argumento de William Lane Craig contra o fato de que todas as religiões podem levar a Deus
O excerto a seguir foi transcrito do livro "Apologética
para questões difíceis da vida", mais especificamente em sua lauda 165. O
apologista cristão William Lane Craig é o autor da obra:
“Essa visão de que “todas as religiões levam á
Deus", freqüentemente são expostas por pessoas leigas e por estudantes
do segundo ano da faculdade, e está enraizada
na ignorância do que as grandes religiões do mundo ensinam. Qualquer um que
estudou religiões comparadas sabe que a cosmovisão proposta por essas religiões
são, com freqüência, diametralmente
opostas uma às outras. Apenas verifique o Islamismo e o budismo, por
exemplo. A cosmovisão delas não tem quase nada em comum. O Islamismo crê que há
um Deus pessoal que é onipotente, onisciente, e santo, e que criou o mundo. Ele
crê que as pessoas são pecaminosas e necessitadas do perdão de Deus, que o céu
eterno ou o inferno nos espera após a morte, e que nós devemos ganhar a nossa
salvação pela fé e por atos religiosos.
A tese de William Craig pode ser resumida
como a concepção de que as contradições existentes entre as múltiplas religiões
que enxameiam nosso planeta constitua em um motivo para que afirmemos que
somente uma delas é a única correta religião que leva o homem a Deus. Contudo,
as suas afirmações se fundam em premissas falaciosas, que são em linhas gerais
as seguintes:
1. Deus criou ou fundou uma
religião.
2. Cabe ao homem descobrir qual é
esta religião e segui-la, a menos que queira ser lançado no fogo do inferno.
No entanto, através das comunicações
espirituais que foram recebidas por intermédio de incontáveis médiuns dispersos
em redor do mundo no século 19 que deram origem à obra O Livro dos Espíritos, não é requisito necessário à
redenção humana que nos filiemos a um movimento religioso específico, pois a
vontade de Deus é que os homens vivam em fraternidade e que se despojem de suas
imperfeições, independente do credo que professam. Portanto, a alegação de
que há uma religião verdadeira a que todo homem deve ser aderir para que por
meio dela seja salvo é inconsistente com o que de fato ocorre no juízo divino,
conforme relatam os Espíritos no livro O Céu e o Inferno (Allan Kardec) acerca
de suas condições no plano ulterior, bem como cartas psicografadas dissertadas
por médiuns escreventes a respeito do assunto.
Somente alguém que negue a
possibilidade de comunicação entre os Espíritos e as pessoas encarnadas poderia
utilizar sua incredulidade como pretexto para tentar menosprezar o ensinamento
espírita, contudo, pesquisas científicas descortinam progressivamente o véu que
divide o mundo dos vivos e dos mortos. Recomendo que o leitor assista um vídeo
que explica a metodologia de um cientista para comprovar a veracidade dos
fenômenos mediúnicos produzidos por Jonh
Edward, um famigerado médium audiente:
Existem numerosas outras evidências
da plausibilidade da fenomenologia mediúnica que foram exaustivamente pesquisadas e descobertas por cientistas
célebres como Crookes, Flammarion, Bozzano, Russel Wallace, Du Prel, Aksakov, etc, mas que
abandonaram suas empreitadas na área pois lhes era recusado apoio e
financiamento, provavelmente devido ao preconceito materialista que sempre foi
predominante e causou muitos atrasos no desenvolvimento científico no âmbito da
espiritualidade. Apesar disso, suas contribuições para a ampliação do
repertório de descobertas da ciência a respeito dos fenômenos espirituais foram
de fundamental importância para assinalar os indícios de que os Espíritos são
reais e podem se comunicar conosco.
Imperioso é frisar que o egrégio químico inglês William Crookes tornou-se espírita após averiguar, com o uso do método científico, o fenômeno de materialização ectoplasmática produzido pela médium Florence Cook. O pesquisador, consoante denota o seu vasto e conceituadíssimo currículo como cientista, atesta que sem dúvidas Crookes era um profissional muito habilitado e indicado para investigar a existência e a manifestação dos Espíritos. A sua obra rendeu um fruto maravilhoso, que foi a publicação do livro Fatos Espíritas, de sua autoria, no qual explica meticulosamente os procedimentos que desenvolveu durante as análises dos efeitos gerados por intermédio da mediunidade de Florence Cook. Duvidar da competência de um eminente cientista que ficou reconhecido em todo o planeta em função de suas contribuições para a ampliação da órbita do conhecimento humano seria no mínimo demasiadamente insensato. Assista os vídeos a seguir que explicam a conversão de William Crookes ao Espiritismo:
Quiçá, além disso, uma das principais provas da existência dos Espíritos e da faculdade dos mesmos de manifestarem-se a nós tenha sido atestada em uma série de experiências mediúnicas desempenhadas em Milão no ano de 1892, sob a direção dos professores Lombroso, Ermácora, Richet, Aksakof, Schiaparelli, Chiaia e outros. Portanto, afirmar que não há possibilidade de os Espíritos serem autênticos é opor-se aos fatos, contra os quais não há argumentos.
O budismo nega todas essas coisas.
Para o budista clássico, a realidade ultima é impessoal, o mundo é incriado,
não há “eu” duradouro, o alvo supremo da vida não é a imortalidade pessoal, mas
a aniquilação, e as idéias de pecado e salvação não exercem nenhum papel.
Exemplos como esse poderiam ser multiplicados. Claramente, todas as religiões não
podem ser verdadeiras, justamente por elas apresentarem visões contraditórias a respeito da natureza da realidade
ultima, do mundo, do homem, dos valores morais, e assim por diante. Essa visão pluralista é, portanto,
insustentável”.
Consoante expressei alhures, a
religiosidade ou fé professada por qualquer pessoa são critérios irrelevantes
para a remissão de suas nódoas morais. O aperfeiçoamento pessoal, ao cabo de
múltiplas existências é que promove o aprimoramento espiritual de todo ser
criado por Deus. Além disso, segundo atesta o Consenso Universal do Ensino dos
Espíritos, o juízo divino não cobra de nós que sejamos partidários de qualquer
movimento religioso. Logo, a despeito de que haja controvérsias entre as
religiões, isto não constitui motivo para que asseveremos que o pluralismo religioso seja
insustentável. Com efeito, as
premissas do argumento de William Lane Craig se revelaram infundadas.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Comprovação de que a Bíblia não é completamente inspirada por Deus
Abaixo, segue a transcrição de um argumento que foi
postado na página de apologética cristã Clive Staples Lewis, a qual pode ser
localizada no Facebook. O autor do conteúdo teve por pretensão responder um
questionamento ateísta muito pertinente relacionado à autenticidade dos
escritos bíblicos. Analisemos a validade da retórica do apologista com o
objetivo de demonstrar quão falaciosa ela é.
Ateu: "A Bíblia é toda contraditória e está Cheia de Erros e mais de 2 mil contradições! Se a Bíblia é a palavra de Deus, portanto não pode ter erro, se tem erros não é a palavra de Deus. Dê-me a Bíblia, eu mostro as contradições e então PROVO que Deus não existe".
É bem verdade que a Bíblia
está repleta de erros. Qualquer pessoa sensata que a ler atentamente, sem
escrutá-la preconcebendo dogmas subjetivos e infundados, não carecerá de muito
esforço para notar que as Escrituras tão veneradas pelos protestantes são
racionalmente e moralmente repugnantes e diversos aspectos. Portanto, tal
realidade torna evidente que o Deus bíblico, Jeová, não existe; o que não se
deduz a partir disso, porém, que não seja verdadeira a Divindade Superior em
que eu acredito.
A moral é o princípio que regula as ações humanas. Sem ela,
é impossível discernimos o certo do errado; aquilo que é justo do que é
injusto. As páginas da Bíblia, sobretudo as que se podem folhear no Antigo
Testamento, estão marcadas pelo sangue de milhares de pessoas que foram
liquidadas por exércitos que teriam sido comandadas pelo amoroso deus do
cristianismo. Isso sem mencionar também as centenas de animais que foram
sacrificados como meio de os homens expiarem as suas iniquidades perante um
déspota universal que os governava. Narrativas de genocídios que causam choque
emocional em qualquer pessoa de sanidade moral indene que as leia e legislações
obsoletas que demonstram a ausência de nexo em que se fundaram as leis
veterotestamentárias constituem motivos suficientes para que a Bíblia seja
desqualificada como Palavra de Deus, pois, para quem tem o mínimo senso de
ética e moral, não são poucas as razões para que concluamos que as Escrituras
não podem ter sido cabalmente inspiradas por um ente amoroso e benévolo.
Todavia, quiçá arguirão ainda os apologistas do sofisma da
religião cristã exclusivista que não é sensato desprezar o compêndio bíblico
devido ao nosso ponto de vista moral pessoal. Porém, olvidam-se eles, antes de
arquitetaram essa tática evasiva, que William Lane Craig advoga em prol do
argumento de que existe um padrão de moralidade objetivo, que não depende do
homem, mas de Deus. Logo, muitos de nossos valores emanam do Criador, ao invés
de serem formulados por nossa própria consciência ou opinião particular. Graças
ao senso moral absoluto, somos todos capazes, desde que raciocinando com
honestidade, de assimilarmos que nem tudo o que narra ou ensina a Bíblia se
coaduna com a palavra Verdade.
Se for científico, falha, pois a “Bíblia” não tem o objetivo de ser um livro de descrição de
causas e efeitos no mundo natural e a Ciência não legisla proibindo milagres; Se o centro da
disputa for em relação a um aspecto teológico relevante, então ela pode, no
máximo, danificar aquele aspecto, não o Cristianismo em geral; Mesmo que a
contradição seja bem sucedida, ele serve apenas para estabelecer a crítica
aquela passagem, não a invalidade geral da Bíblia (ampliação indevida);
Neste trecho, o apologista desfecha um golpe contra a
própria doutrina que defende. Se a Bíblia é a perfeita Palavra de Deus, se
infere a partir disso que tudo o que ela contém é verdadeiro, em quaisquer
aspectos, pois provém de Deus, o Criador do Universo e aquele que detém em Si
toda a Ciência. Caso haja nas Escrituras alguma afirmativa que contrarie a
ciência, é forçoso que se admitam as hipóteses de ou Deus ser mentiroso ou de
que o livro sagrado incorre em erros. Já que a primeira afirmação é incoerente
com a Perfeição, depreende-se que a Bíblia é cientificamente inválida, logo,
não tem procedência completamente divina.
Portanto, mesmo que toda a Bíblia fosse
inválida, não seria o caso de pular para o ateísmo, pois a discussão da
existência de Deus é feita separadamente da validade da Bíblia; A
maioria das “contradições” são dificuldades de interpretação, quanto a não
observância do contexto histórico, e das passagens paralelas que podem
causar vários mal entendidos.
Os denominados "mal entendidos" e as
"dificuldades de interpretação" são solucionados através de nada mais
que uma ardilosa retórica. O apologista que propõe estratégias para refutar uma
contradição ou erro bíblico normalmente recorre a técnicas argumentativas muito
semelhantes às daqueles que eram empregadas pelos sofistas na época da Grécia
Antiga, para destarte induzir indivíduos a concordarem com raciocínios
aparentemente lógicos, mas que a bem da verdade conduzem a desatinos, como por
exemplo é o caso de Norman Geisler, que em sua Enciclopédia Apologética
propugna a doutrina do inferno com ardor e astúcia. É lamentável saber que os
cristãos teoricamente defendam a prática da honestidade mas apesar disso
desenvolvem teorias intelectualmente desonestas.
Se mesmo assim, essas dificuldades não forem
sanadas, os estudiosos partem para a análise das línguas originais da Bíblia
(hebraico para o Antigo Testamento e grego para o Novo Testamento) que podem
resolver muitos aparentes problemas. Isso não é uma prática diferente de
qualquer outra análise textual do material traduzido.
Essa técnica apologética, se não me
falha a memória, é conhecida como exegese. Os defensores da Bíblia investigam
os idiomas em que foram redigidos os primeiros manuscritos do livro sagrado com
o fito de criarem formas variadas de interpretar ou de traduzir uma ou mais
passagens. A verdade é que esse tipo de estudo das Escrituras apenas contribui
para relevar a incoerência e as contradições da Bíblia, porquanto a fé cristã
ortodoxa se estriba em um livro que pode ser compreendido de maneiras
controversas e que geram confusão. Não há como existir uma interpretação
uniforme da Bíblia, já que existem múltiplas formas de transliterarmos os seus
textos. Assim, o estudo do hebraico e do grego constituem um argumento para
rejeitarmos o dogma da inspiração divina da Bíblia.
Todas as línguas (especialmente o hebraico e
grego) têm limitações especiais e nuanças que causam dificuldade na tradução.
Por isso antes de se tentar entender um livro tão complexo, é necessário:
– a) Tomar as palavras no sentido
gramatical;
– b) Examinar o
sentido original das palavras;
– c) Tomar as palavras dentro de seu
contexto.
– d) Examinar o estilo empregado;
– e) Tomar as palavras em relação com o
propósito do livro.
– f) Estudar as palavras à luz da situação
histórica e geográfica;
– g) Examinar as passagens paralelas;
– h) Tomar conhecimento do contexto
teológico;
Os itens que o apologista elencou acima abrangem o complexo
de estratagemas que se fadam a elaborar uma sustentação da doutrina espúria da
inerrância bíblica. Entretanto, a finalidade prática das metodologias
exegéticas da teologia cristã é eclipsar a verdade e o sentido óbvio e claro
que o texto bíblico enuncia, para assim arquitetar a aparência de as Escrituras
se fundarem na razão. É notório, por conseguinte, que os apologistas cristãos
são sofistas natos, uma vez que a estrutura dos raciocínios que caracterizam
suas argumentações induzem os seus leitores a conclusões absurdas, como a de
que Deus pode ser bom e simultaneamente infligir flagelos infindáveis a quem
não for cristão. A princípio, para os leigos que desconhecem as técnicas de
retórica dos apologistas, parece haver honestidade intelectual da parte deles
no tocante ao que alegam acerca da Bíblia, todavia, isto dissipa-se quando
percebe-se que o que é patente se choca com os sofismas da apologética cristã.
– i) Nunca se
esquecer que, Um significado recente de uma palavra não pode ser transportado
para um texto antigo, por isso a suma importância de ler todo o texto bem como
conhecer seu contexto para que possa identificar o sentido original da
mensagem. Por isso existem, a análise
Crítica, exegese e hermenêutica que
são metodologias científicas que ajudam a identificar as dificuldades no
entendimento bíblico. Dê-me a Bíblia, eu mostro as contradições e então PROVO
que Deus não existe? Se eu vendo um quadro dizendo ser de Van Gogh e você descobre ele uma parte em que
ele foi modificado, então significa que o quadro tem uma falha, não que Van
Gogh não existe; e muito menos que não há nenhuma participação de Van Gogh
no processo (ainda poderia ter alguma). Calma lá com seus saltos lógicos. As
coisas não são tão simples quanto você coloca. Não estou dizendo que a Bíblia
não é importante ou que não deveríamos defendê-la. Só devemos ter algo em mente:
quando um cético ataca certa parte da Bíblia, ele está só criando uma crítica a
tal parte. Não criando um validador do ateísmo. O truque aqui é a
transformação do teísmo em uma crença na inerrância bíblica".
No que toca à exegese, hermenêutica e análise crítica, nada
mais tenho a comentar, porquanto expliquei que não são mais que reles táticas
ardilosas que têm por objeto encobrir o sentido lógico de uma passagem da
Bíblia, para que desse modo o apologista engendre um método de fazer a
Escritura aparentar ser racionalmente válida. De fato, concordo com a assertiva
de que, se um ponto na Bíblia estiver em confronto com a lógica, não significa
a partir disso que Deus não exista. Aliás, me reportando inclusive às demais
doutrinas religiosas que pululam este mundo, ainda que nem todo dogma seja
filosoficamente concebível, não é lícito depreender que não haja Deus algum,
mas sim que nem sempre o que ensinam e difundem a respeito Dele é verossímil.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Como discernir o que há de correto em uma religião daquilo que é falso
Todo o crivo ao qual uma religião deve ser submetida se sumariza nas seguintes máximas que a maioria das religiões admite:
1 - Deus é amor.
2 - Deus é justiça.
A partir desses atributos essenciais de Deus, com os quais as religiões de uma forma geral estão de acordo, podemos distinguir aquilo que provém do Pai daquilo que incorre em um engano ou doutrina espúria.
Toda religião, portanto, que prega que existe apenas uma só fé pela qual o homem pode ser salvo é incoerente com os apanágios divinos, pois com isso ela ignora o amor de Deus Pai, que se estende a todos os homens sem embargo de quais sejam suas convicções religiosas. A justiça de Deus Pai não se configura como aquela postulada pelas religiões exclusivistas e preconceituosas, que ao invés de honrarem a Deus disseminam conceitos ignóbeis que têm origem na aversão por doutrinas religiosas diferentes das suas. Deus julga a todos em conformidade com a soma de bem e mal, ao cabo da pluralidade de existências, que nós desenvolvemos enquanto encarnados.
Qual é, talvez indaguem alguns, a minha base para fazer tais asserções?
Vou reiterar meus fundamentos: Princípios desvelados pelas religiões que são logicamente coerentes com os atributos de Deus elencados acima. Podemos, desde que os admitamos, extrair de cada religião uma porção da Verdade, a qual paulatinamente se descortina diante de nós à proporção que nos aperfeiçoamos na escala espiritual.
Respostas a alguns argumentos cristãos fundamentalistas
Obstáculos ao cristianismo
“Os
obstáculos do incrédulo não começam com questionamentos sobre este ou aquele
milagre em particular, e sim muito antes. Quando alguém que teve apenas uma
educação nos moldes atuais examina uma declaração legitima da doutrina cristã,
ele depara com algo que lhe parece uma imagem totalmente “selvagem” ou
“primitiva” do universo. Então descobre que Deus supostamente teria tido um
“Filho”, como se fosse uma divindade mitológica à semelhança de Júpiter ou
Odin. Descobre também que esse “Filho” supostamente “desceu do Céu”, com se
Deus tivesse um palácio ali, de onde enviou Seu “Filho” como um paraquedista. É
informado, por fim, que esse “Filho”, também supostamente “desceu ao inferno”,
uma espécie de terra dos mortos sob a superfície de uma Terra (presumivelmente)
plena e “ascendeu” desse lugar outra vez, como por um balão, até o palácio
celestial do Pai, onde finalmente se assentou numa cadeira adornada, à direita
do Pai. Tudo parece pressupor uma concepção de realidade à qual o aperfeiçoamento
de nosso conhecimento tem prontamente recusado nos últimos dois mil anos e à
qual nenhum homem honesto e de bom senso poderia retomar hoje. Essa é a
impressão que explica o desprezo e até mesmo a aversão de muitas pessoas aos
escritos dos cristãos de nossos dias”.
Exato. O próprio autor do texto
compromete toda a sua fé ao reconhecer que o cristianismo tradicional é
destituído de racionalidade, tendo em vista que toda a sua estrutura está
fundamentada em conceitos míticos desprovidos de razão, os quais ele mesmo
ressalta em seu texto. Nada tenho a declarar a mais sobre o assunto, pois a
dissertação em si expõe o caráter mitológico das doutrinas cristãs ortodoxas.
Impossibilidade da ocorrência de milagres
““Não. É
claro que não acredito nisso! Sabemos que é contrário às leis da natureza. As
pessoas podiam crer nisso antigamente, porque não conheciam as leis da
Natureza, mas agora sabemos que é algo cientificamente impossível.”
O
conceito de que o progresso da ciência de alguma forma alterou a questão dos
milagres, está intimamente relacionado com a noção de que as pessoas
“antigamente” acreditavam em milagres “porque não conheciam as leis da
Natureza”. Por isso, ouviremos pessoas afirmarem: “Os primeiros cristãos
acreditavam que Cristo era filho de uma virgem, mas sabemos que isso é
cientificamente impossível”. Tais pessoas parecem ter a idéia de que a crença
em milagres surgiu em um período em que os homens eram tão ignorantes com
relação ao curso da Natureza a ponto de não perceber que um milagre seria
contrario a ele. Se refletirmos por um momento, perceberemos que isso é uma
tolice e a historia do nascimento virginal é um exemplo particularmente
surpreendente. Quando José descobriu que sua noiva estava grávida, a decisão de
repudiá-la foi natural. Por quê? Porque ele sabia tão bem quanto qualquer
ginecologista moderno que, pelo curso da Natureza, as mulheres só engravidavam
quando têm relações sexuais com um homem. É óbvio que os ginecologistas
modernos conhecem muito mais coisas do que José conhecia, mas esse não é o
centro da questão: Que um nascimento virginal é contrario ao curso da Natureza.
José obviamente sabia disso. Em qualquer sentido que hoje fosse verdadeiro
afirmar: “Isso é cientificamente impossível”, ele teria dito o mesmo. Isso sempre
foi impossível e considerado uma impossibilidade, A NÃO SER QUE os processos
normais da Natureza estivessem, nesse caso em particular, sendo dominados ou
alterados por algo além dela. Quando José finalmente aceitou a idéia de
que a gravidez de sua prometida não era fruto de infidelidade, mas de um
milagre, ele aceitou o milagre como algo contrario à ordem conhecida da
Natureza. Todos os milagres ensinam-nos a mesma coisa. Em tais historias, eles
provocam medo e admiração (é justamente o que o próprio termo Milagre implica)
entre os espectadores e são considerados evidencias de um poder sobrenatural.
Se não fossem encarados como contrários às leis da Natureza, como poderiam
sugerir a presença do sobrenatural? Como poderiam surpreender se não fossem vistos
como exceções à regra? E como algo pode
ser considerado exceção até que as regras sejam conhecidas? Se houvesse
alguém que não conhecesse absolutamente nada sobre as leis da Natureza, não
teria a mínima idéia do que seria um milagre nem sentiria qualquer interesse
particular se um deles lhe ocorresse. Nada parece extraordinário até que se
conheça o ordinário.”
O conceito de milagre implica que
haja uma derrogação das leis naturais. Deus é o autor das Leis que governam o
Universo e nem mesmo ele as viola ou suspende, pois não existe essa
necessidade, já que as Leis da Natureza por Ele implementadas são perfeitas e
não demandam que sejam em qualquer situação anuladas. Mesmo que caso não
conheçamos por enquanto todas as regras que regem o Universo, não se segue daí
que podemos presumir que os milagres possam existir, porquanto tais princípios
outrossim não podem ser sustados pelo próprio Deus, que os formulou. Destarte,
a doutrina do nascimento virginal, por consistir em um dogma que pressupõe um
evento contrário às leis da Natureza, não pode ser verdadeiro assim como o
episódio conhecido como ressurreição de Cristo também não deve receber o
atributo de ser prodigioso, porque são relatos miraculosos.
terça-feira, 5 de março de 2013
A Bíblia e a doutrina da Reencarnação - Ponto de vista espírita
Como se não
bastassem as doutrinas desprovidas de qualquer lógica que estão contidas nas
páginas da Bíblia, há também no dito livro sagrado ensinamentos que contradizem
a doutrina da Reencarnação. Segundo este sistema teológico, somos aquilo que
decidimos ser por opção e esforço individual, ou seja, toda a humanidade está
imersa na lei da semeadura, que se baseia no axioma “A cada um será dado
segundo as suas obras” e na máxima: “Aquilo que o homem semear, isso também
ceifará”, ambas pronunciadas por Jesus Cristo.
A Bíblia
encerra uma doutrina que abstrai-se da Justiça Divina, pois prega a existência
de um julgamento ulterior que será gerido por um deus rancoroso sedento por
condenar a humanidade pela religião, espiritualidade ou fé a que nos aderimos
durante nosso viver. Ao invés de Jeová ater-se somente ao bem que nos empenhamos
por fazer, ele deseja nos reprovar mediante querelas religiosas. Se não
aceitarmos os dogmas instituídos na Bíblia, nos será imposta a sentença da
eternidade do fogo do inferno. O Deus verdadeiro, em contrapartida, nos faculta
as oportunidades necessárias para percorrermos a rota de nossa evolução
espiritual, ao invés de nos lançar em chamas eternas em função de uma vida de
pecados temporários e por termos crido em uma religião que não esteja em
conformidade com preceitos bíblicos.
Argumentam
alguns grupos religiosos que a Bíblia é a única regra de fé e prática do servo
de Jeová. Interpretam eles, por isso, algumas palavras de Jesus em um sentido
que vem a conceber que Cristo se referia ao mencionado livro sagrado toda vez
que utilizava a expressão “palavra de Deus”. Ao meu ver, esse modo de
compreender Jesus deturpa o que ele teve por intuito transparecer de fato com a
destacada expressão, tendo em vista que o Mestre combateu com afinco dogmas
absurdos de sua época, como certamente faria hoje em relação à doutrina da
inerrância e autoridade absoluta das Escrituras. Analisemos, não obstante, os
versos que supostamente se contrapõem à reencarnação:
"Toda a
Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção, para a educação na justiça". – 2 Timóteo 3:16
Segundo a
opinião de diversos religiosos, o termo “Escritura” remete-se à Bíblia. Digno
de nota é que o volume sagrado foi compilado séculos depois da redação de todos
os livros que a Igreja mais tarde denominou “Bíblia”. Os apóstolos não poderiam
estar fazendo qualquer alusão às Escrituras qual nós a temos hoje, a menos que
os sequazes de certas religiões creiam no anacronismo explicitado.
Quanto à
asserção de que Jesus embasava seus ensinos na Bíblia, devo objetar novamente
que os livros do Novo Testamento nem os da Antiga Aliança haviam sido reunidos
em um só volume pela Igreja Católica (que também não existia). Como, portanto,
Jesus poderia pretender aludir-se a um livro que em sua época não havia ainda
sido compilado? Somente tinha ele acesso aos manuscritos sagrados do Judaísmo,
como a Torá. Os judeus consideravam tais documentos como sendo de origem
divina, entretanto não há nenhuma afirmação objetiva de Jesus que confirme sua
crença no mesmo dogma, nem sequer os trechos seguintes:
"A tua
palavra é a verdade" – João 17:17
"Não só de
pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" - Mateus 4:4
A sentença que
Jesus emitiu no deserto, a saber, “toda palavra que procede da boca de Deus”
implica necessariamente que ele estava se reportando à Bíblia? Não. Teólogos
católicos e protestantes formularam doutrinas alheias aos ensinamentos do
Mestre e adaptaram as suas palavras às pressuposições que criaram, pelo que o
termo “palavra” nesta passagem como em muitas outras passou a ser sinônimo de
“Bíblia Sagrada”. A “palavra de Deus”, em sua conotação original, é tudo o que
há de verdadeiro. Ora, se nem tudo o que a Bíblia diz é verdade, ela não pode
ser em totalidade qualificada como a “palavra de Deus”, segue-se, pois, que
argumentos fundamentados no livro sagrado dos cristãos nem sempre são
racionalmente consistentes.
Outro pretexto
frisado por alguns sectários de religiões para negarem a reencarnação é que
Jesus recomendou que examinássemos as Escrituras em decorrência de que as
mesmas testificam dele, conforme reza a passagem:
"Examinais
as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que
testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida" - João 5.39-40
Mais uma vez, nota-se que nossos irmãos religiosos cometem o erro de
confundirem a Bíblia Sagrada como a temos em mãos hoje com os antigos
manuscritos sagrados do Judaísmo. Além disso, o Mestre Jesus em nenhum momento
pretendeu delinear através de sua afirmação que cria em toda a revelação do
cânone judaico, mas apenas aconselhou que a examinássemos para que através dela
estivéssemos a par do que a mesma declara a respeito de Cristo. Isto é
diferente de dizer que é mister que acreditemos em toda a Bíblia do contrário
seremos lançados no inferno por toda a perpetuidade.
Jesus, além do
mais, usava as Escrituras sempre que nela encontrava algum suporte para os
princípios que trouxera ao mundo. Por isso, os judeus de sua época o
consideravam um herege, em virtude de retirar certas passagens do contexto em
que se situavam para justificar o seu ponto de vista espiritual, sendo em razão
disso certa vez até mesmo ameaçado de apedrejamento por blasfêmia:
“Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode
arrebatá-las da mão de meu Pai.
Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.
Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?” - João 10:29-36
Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.
Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?” - João 10:29-36
Similarmente, é
deplorável que haja nos dias de hoje religiosos os quais são como os judeus do
passado, por exprobrarem pessoas como eu de heresia por extraírem da Bíblia
certos trechos que segundo a hermenêutica que sustentam, estão todos
descontextualizados. No entanto, eu me recuso a aceitar a inspiração divina
completa da Bíblia e concordo apenas parcialmente com as doutrinas que o livro
contêm, compreendendo-o à luz da lógica que Deus Pai incorporou na mente
humana.
Não obstante,
os religiosos citam outro texto, na tentativa de embasar a idéia de que quem
crê na reencarnação não conhece as Escrituras, conforme os seguintes dizeres de
Jesus:
"Errais,
não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" - Mateus 22.29
Ora, na ocasião
em que Jesus assim se manifestou, estava ele apresentando uma explicação acerca
do tema ressurreição. Já que os judeus estavam de tal maneira engajados nos
dogmas dos textos sagrados em que acreditavam, Cristo demonstrava sapiência ao
explanar as diretrizes espirituais fazendo com as mesmas analogias com
conceitos presentes na fé judaica.
Outros
religiosos se fundamentam na convicção de que Jesus considerava a Bíblia como
sendo a Palavra de Deus devido à seguinte passagem:
Lucas
16:29-31
De acordo com o
argumento de certas religiões, Jesus Cristo fez alusão aos profetas do Antigo Testamento,
o que induziria-nos a depreender que o Mestre por isso qualificava a lei e os
profetas como totalmente sagradas. Nisto, porém, residem os equívocos da
interpretação que um sem número de religiões adotam. O primeiro erro está
associado à negligência que os religiosos fazem no que diz respeito ao contexto
cultural em que Jesus se situava, o qual era judaico e exacerbadamente imbuído
de um dogmatismo que em sua época era vigente. Portanto, Jesus elaborava suas
parábolas de modo que estas estivessem em harmonia com alguns princípios do
Judaísmo, o que obviamente era uma estratégia do Mestre para atrair com mais
eficiência o interesse dos religiosos de seu tempo pelas mensagens que estava
difundido.
Nos dias
hodiernos, contudo, urge que a humanidade faça distinção entre o objetivo
central de tudo o que Jesus ensinou e os meios que ele utilizou para transmitir
suas doutrinas, já que estes últimos eram em geral produtos da cultura e
religião de seu tempo, que ele incorporava em suas parábolas e metáforas para a
melhor compreensão de seus ouvintes. Basta que nos coloquemos no lugar de Jesus
para que possamos entendê-lo da maneira correta, pois nem sempre a
interpretação literal daquilo que foi dito por ele é logicamente coerente.
Quanto aos
demais livros bíblicos, que dizem acerca da reencarnação? Consultemos o mais
citado verso da Bíblia comumente mencionado pela vasta maioria dos religiosos
para justificar sua descrença na referida doutrina:
“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois
disso o juízo,” - Hebreus 9:27
Nada irei
impugnar no que diz respeito ao trecho de Hebreus. Se há adeptos de credos que
preferem crer naquilo que afirmaram autores da Bíblia que expressaram uma
opinião doutrinária divergente daquela que Jesus pontificou aos homens, que
assim seja. Não estou disposto a concordar com o parecer de pessoas que
discordem do que Jesus Cristo ensinou, a menos que alguém possa me provar que o
Mestre instruiu os seus seguidores a se adunarem a ensinamentos espúrios.
Repilo, do mesmo modo, passagens bíblicas como as seguintes também, pelo fato
de supostamente censurarem a reencarnação:
"Pois
também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos,
para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no
espírito" - 1 Pedro 3.18
O texto
compreendido em 1 Pedro 3:18 é outro subterfúgio usado por religiosos para
negligenciarem a reencarnação, pois de acordo com a opinião de algumas pessoas
aderidas a movimentos que não são reencarnacionistas, basta que creiamos em
Jesus como o Salvador de nossas almas para que sejamos justificados perante
Deus. É consenso entre as regras de fé pontificadas por religiões muito
populares, Deus enviou seu inocente filho ao mundo para nos purificar de nossos
pecados, o que contradiz a justiça divina a qual não poderia conjugar-se à
ideia de que Deus permitiu que alguém imaculado como Jesus tenha levado sobre
si uma responsabilidade que compete tão somente a nós. Se mesmo poucos humanos
cometeriam o disparate de sacrificar seus respectivos filhos em prol da
absolvição dos criminosos de uma penitenciária, tampouco Deus assim agiria,
pois Ele é justo e a cada um retribui segundo suas próprias obras.
“Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo,
dorme, mas vou despertá-lo do sono.
Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono. Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto; E folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis; mas vamos ter com ele. Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele. Chegando, pois, Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura. (Ora betânia distava de Jerusalém quase quinze estádios.) E muitos dos judeus tinham ido consolar a Marta e a Maria, acerca de seu irmão. Ouvindo, pois, Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, ficou assentada em casa. Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto? Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo. E, dito isto, partiu, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está cá, e chama-te. Ela, ouvindo isto, levantou-se logo, e foi ter com ele. (Ainda Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.) Vendo, pois, os judeus, que estavam com ela em casa e a consolavam, que Maria apressadamente se levantara e saíra, seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para chorar ali. Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Jesus pois, quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito, e perturbou-se. E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê. Jesus chorou. Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava. E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse? Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela. Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias. Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora. E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.” - João 11:11-44
Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono. Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto; E folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis; mas vamos ter com ele. Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele. Chegando, pois, Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura. (Ora betânia distava de Jerusalém quase quinze estádios.) E muitos dos judeus tinham ido consolar a Marta e a Maria, acerca de seu irmão. Ouvindo, pois, Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, ficou assentada em casa. Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto? Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo. E, dito isto, partiu, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está cá, e chama-te. Ela, ouvindo isto, levantou-se logo, e foi ter com ele. (Ainda Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.) Vendo, pois, os judeus, que estavam com ela em casa e a consolavam, que Maria apressadamente se levantara e saíra, seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para chorar ali. Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Jesus pois, quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito, e perturbou-se. E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê. Jesus chorou. Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava. E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse? Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela. Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias. Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora. E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.” - João 11:11-44
A passagem
encerra o relato da ressurreição de Lázaro. Muitos pressupõem, baseado neste
trecho do Evangelho de João, que a reencarnação não existe, pois nesta
narrativa um cadáver tornou a viver embora seu espírito já devesse estar no
plano espiritual ou mesmo em outro corpo físico. Ao meu ver, tudo o que há na
Bíblia que não se enquadra nas leis espirituais deve ter seu rótulo de
autenticidade eliminado, uma vez que muitos contos ou princípios bíblicos
contradizem a razão e os editos divinos. Por conseqüência, convém inferir que o
testemunho contido em João 11:11-14 nunca se concretizou, ou, conforme outra
hipótese, necessariamente deve ter sofrido uma deturpação ao cabo de sua
transmissão. De algo se pode ter certeza quanto ao trecho destacado algures:
Jesus não poderia ter obrado algo contrário às leis de Deus, logo qualquer outra
hipótese que se destine a explicar o que de fato sucedeu é mais aceitável que
acreditarmos que Lázaro realmente ressuscitou.
Há diferentes
outros princípios bíblicos aos quais crentes fervorosos na Bíblia estão
aderidos e que reprovam a lógica da reencarnação:
“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns
para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” - Daniel
12:2
"Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos.” - Isaías 26:19
“Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos
ressuscitará, e viveremos diante dele.” - Oséias 6:2
“Porque assim como a morte veio por um homem, também a
ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em
Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” - 1 Coríntios
15:21-22
“Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam,
de que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos.” - Atos 24:15
“Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira
ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes
de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.” - Apocalipse 20:6
Não estando a
Bíblia em grande parte acorde com a pluralidade das existências, cumpre-nos
rejeitar a sua inspiração divina total, uma vez que a reencarnação consiste em
uma lei instaurada por Deus no universo. Se as múltiplas vidas são rechaçadas
por versículos bíblicos, segue-se que ela não pode estar dizendo a verdade
quanto ao que ocorre após a morte, pois sabemos que Deus não enviou ninguém ao
mundo para nos remir dos erros pelos quais nós mesmos teremos de responder. A
responsabilidade pelas faltas que cometemos é tão somente nossa e Jesus ou
qualquer outra pessoa jamais levaria sobre si o fardo de nossos pecados, como
ensina a teologia cristã tradicional. O plano de Deus Pai para a redenção da
humanidade é a capacitação que ele nos confiou de aprendermos a fazer aquilo
que é certo mediante os princípios de moralidade que Ele decretou.
Aceitar Jesus,
acreditar que ele é o redentor de nossas almas ou crer que a Bíblia é a
inerrante Palavra de Deus não são critérios para a redenção humana, mas são
somente preceitos que a religião outorgou, fazendo com que muitos se olvidassem
de que o único caminho para Deus é o esforço que desempenhamos para amortizar
as máculas do nosso caráter que imprimem em nós uma egressão do Pai Celeste.
Apesar disso, há religiosos que persistem em considerarem a concepção religiosa
que pregam a única verdadeira, citando inclusive ensinamentos de Jesus como
respaldo para suas doutrinas:
Eu sou a
ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" - João 11.25
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." - João 14:6
Para mim, não
restam dúvidas de que a interpretação das palavras de Jesus que os religiosos
promovem é destituída de concordância com o que Cristo pretendeu realmente
dizer. Crer em Jesus não significa necessariamente que alguém acredite ser ele
quem expiou a sua alma das falhas morais que possui, ao invés disso, o
propósito original das palavras do Mestre conforme expressas nos trechos acima é
afirmar que quem pratica o que Jesus ensinou herdará a vida eterna e que não
existe outro meio de sermos redimidos de nossos defeitos a não ser através do
esforço por fazermos o bem. Não é por acaso que certa feita, disse também o
Senhor:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino
dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” - Mateus 7:2
Não é imprescindível para a
humanidade crer que Jesus seja o Senhor do Universo ou o Redentor das almas dos
homens, pois o critério que autoriza alguém a adentrar os portões celestiais é
fazer a vontade do Pai, isto é, empreender esforços para trilhar os caminhos do
bem e das virtudes.
Jesus Cristo
jamais estabeleceu através de suas boas novas uma filosofia religiosa
exclusivista, segundo a qual todos os que não crerem em um tipo específico de
fé serão condenados ao tormento infindo. Em vez disso, ele é o caminho, a
verdade e a vida no sentido de que apenas colocando em exercício os seus
elevados padrões e valores morais viveremos conforme a vontade de Deus. Assim,
ainda que alguém esteja com o seu espírito mortificado pela desonra dos pecados
que comete, desde o momento em que se empenha por domar seus maus pendores,
essa tal pessoa começa a restaurar-se.
Impugnando o
ponto de vista dos partidários de denominações religiosas que menosprezam a
doutrina da pluralidade das existências, não existe motivo razoável para se
supor que as pessoas que não concordam com um princípio de fé ou aquelas que
não vivem pautadas nos dogmas de uma religião ou de um livro sagrado serão
condenadas por Deus Pai ao tormento infernal. Querelas religiosas não são
critérios que serão requisitados a nós durante o juízo do Deus do Amor.
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