Os católicos adoram os santos?
O Catecismo da Igreja Católica, no tocante ao emprego das imagens em suas
cerimônias, declara o que se segue:
“2131. Com base no mistério do Verbo
encarnado, o sétimo Concílio ecumênico, de Nicéia (ano de 787) justificou,
contra os iconoclastas, o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe
de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou
uma nova «economia» das imagens.
«O culto da religião não se dirige às
imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de
imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à
imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que
ela é imagem» (65).” (Catecismo da Igreja Católica, 2131-2132.)”
A doutrina católica afirma que a Igreja
recebeu de Jesus Cristo a autoridade, através do Espírito Santo, de deliberar
quais são os princípios que a regem em quaisquer questões. Com a direção da égide divina, os líderes eclesiásticos promulgam preceitos sobre os quais a
Igreja está pautada. Sendo assim, obras como o Catecismo da Igreja Católica é
uma fonte válida de onde se podem extrair ensinos relevantes e verdadeiros
acerca dos estatutos de Deus. Um dos principais equívocos de grupos adversários
do catolicismo é alegar que somente as Escrituras Sagradas são suficientes para
orientar o cristão, pois o próprio cânon da Bíblia foi elaborado por meio das
medidas implementadas a partir dos Concílios que a Igreja Católica organizou
com o objetivo de agregar as Letras Sacras em um só compêndio. Quem ignora,
portanto, a Igreja, deveria também por consequência menosprezar a Bíblia.
Existem dois tipos de culto: Adoração
(latria) e veneração (dulia). Toda celebração consagrada a Deus está
compreendida nos cultos de adoração, ao passo que as reuniões que têm em mira
venerar os santos tratam-se dos cultos que se classificam como dulia. Sendo
assim, há distinção entre adorar e venerar.
Além disso, os santos, embora já estejam
no reino celestial, podem receber preces que sejam a eles dirigidas. O Catecismo
da Igreja explica, de forma mais incisiva, este assunto:
“956. A intercessão do santos. “Pelo fato
de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam
com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por
nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador
de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por conseguinte, pela fraterna solicitude
deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (Lumen Gentium 49)”
Como já declarado
alhures, endosso que as regras instituídas pela Igreja constituem autoridade à
qual os cristãos devem se subordinar, uma vez que tais princípios foram
estatuídos por Deus e não pelo homem. Cumpre reiterar também que a máxima
protestante do "Sola Scriptura" é infundado, pois considera a Bíblia
o bastante, em termos de fé e prática, para o seguidor de Jesus.
Há exemplos
relatados na Bíblia de cultos de reverência (dulia). Ei-los:
"E tornou
a enviar um terceiro capitão de cinqüenta, com os seus cinqüenta; então subiu o
capitão de cinqüenta e, chegando, pôs-se de joelhos diante de Elias, e
suplicou-lhe,
dizendo: Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida, e
a vida destes cinqüenta teus servos." - 2
Reis 1:13
"E
levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele. E
vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro e inclinou-se à terra," - Gênesis
18:2
"Então
saiu Moisés ao encontro de seu sogro, e inclinou-se, e beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam,
e entraram na tenda." - Êxodo
18:7
"Vendo,
pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra." - 1
Samuel 25:23
"Então
Abraão se inclinou diante da face do povo da terra," - Gênesis
23:12
"E ele
mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão." -
Gênesis
33:3
"Então
ela se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis que a tua serva servirá de
criada para lavar os pés dos criados de meu senhor." - 1
Samuel 25:41
"E Mefibosete, filho de Jônatas, o filho de Saul, veio a Davi, e se prostrou com o rosto por terra e inclinou-se; e disse Davi: Mefibosete! E ele disse: Eis aqui teu servo." - 2 Samuel 9:6
Quiçá,
objetar-se-á se o fato de a Bíblia declarar que Cristo é o único mediador entre
Deus e os homens não contradiz a doutrina católica da intercessão dos santos. A
resposta a tal contraposição é simples e consiste em que os santos da Igreja
apresentam a Jesus os méritos que alcançaram na Terra, Cristo por sua vez
comunica ao Pai as petições que seus filhos rogaram aos santos. Não há
contradição.
O culto de
adoração é diferente do sobredito. Ele é consagrado tão somente a Deus e os
santos não o recebem pois o Senhor é o único digno de ser adorado, além de o
ato de adorar ao Pai demandar a execução de um sacrifício que é a ingestão da
carne e do sangue de Cristo. A seguir, há exemplos que constam na Bíblia de
cultos de adoração, para que a partir deles o leitor possa compreender as
distinções entre ambos e assim perceber que os católicos não são idólatras:
"E
Israel deteve-se em Sitim e o povo começou a prostituir-se com as filhas dos
moabitas. Elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e
inclinou-se aos seus deuses." - Números 25:1-2
"Porque
Acaz tomou despojos da casa do SENHOR, e da casa do rei, e dos príncipes, e os
deu ao rei da Assíria; porém não o ajudou. E ao tempo em que este o
apertou, então ainda mais transgrediu contra o SENHOR, tal era o rei
Acaz. Porque sacrificou aos deuses de Damasco, que o feriram e disse:
Visto que os deuses dos reis da Síria os ajudam, eu
lhes sacrificarei, para que me ajudem a mim. Porém eles foram a sua
ruína, e de todo o Israel." - 2 Crônicas 28:21-23
No texto de 2 Reis
17:35, encontramos uma definição bastante acurada a respeito do que é a
idolatria. Note que a prescrição abaixo se alude a temermos, inclinarmos,
servirmos e prestar-lhes sacrifícios:
"Contudo
o SENHOR tinha feito uma aliança com eles, e lhes ordenara, dizendo: Não temereis a outros deuses, nem vos
inclinareis diante deles, nem os servireis, nem lhes sacrificareis." - 2 Reis
17:35
O ato de
idolatrar, portanto, implica que alguém realize sacrifícios com o objetivo de
agradar a divindade em que crê, além de servir aos deuses encurvando-se diante
deles. O culto de veneração, porém, consiste em reconhecer perante os santos
que eles são instrumentos e servos de Deus (não seres iguais ou superiores ao
Senhor) os quais ocupam um posicionamento que está muito além daquele que
possuímos, o que lhes confere a capacidade de interceder, por meio de Jesus,
junto ao Pai em favor dos que neles exercem fé.
Assim como foi
expendida uma passagem bíblica que explica de forma concisa o que vem a ser a
idolatria, consta nas Escrituras Sagradas um texto que revela o que é de fato a
adoração verdadeira:
"Mas
o SENHOR, que vos fez subir da terra do Egito com grande força e com braço
estendido, a este temereis, e a ele
vos inclinareis e a ele sacrificareis. E os estatutos, as
ordenanças, a lei e o mandamento, que vos escreveu, tereis cuidado de fazer
todos os dias; e não
temereis a outros
deuses." - 2 Reis 17:36-37
Os católicos
observam os estatutos, ordenanças, os mandamentos e as leis de Deus? Sim. Temem
eles a outros deuses e para honrá-los fazem sacrifícios como meio de lhes
prestar culto? Não. Os críticos do catolicismo têm dificuldade em compreender
as diferenças entre os conceitos de reverenciar, idolatrar e adorar segundo os
princípios da Igreja Católica, a qual é a única que continua prestando a Deus o
sacrifício que lhe é devido em toda Santa Missa quando é celebrada a
Eucaristia: Jesus Cristo, cerimônia aquela que é baseada no próprio edito do
Filho conforme promulgado por Ele em Lucas 22:17-20 e 1 Coríntios 11:23-29:
“E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse:
Tomai-o, e reparti-o entre vós; Porque vos digo que já não beberei do
fruto da vide, até que venha o reino de Deus. E, tomando o pão, e havendo
dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é
dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice,
depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é
derramado por vós.”
- Lucas 22:17-20
“E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse:
Tomai-o, e reparti-o entre vós; Porque vos digo que já não beberei do
fruto da vide, até que venha o reino de Deus. E, tomando o pão, e havendo dado
graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado;
fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da
ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado
por vós.” - Lucas 22:17-20
Jesus Cristo é o Cordeiro imaculado de Deus. Deveras, ele foi, de acordo com a teologia cristã ortodoxa, sacrificado para resgatar a humanidade de seus pecados. Toda vez que a Missa é celebrada, Jesus se faz presente no momento em que o pão e o vinho são ingeridos pela Igreja, o que configura a solenidade como referente ao sacrifício que se deve apresentar a Deus.
Em síntese, toda a altercação entre católicos e religiosos filiados a outros credos, se resume no fato de que a maior parcela de outros crentes não acredita na autoridade da Igreja, com efeito, menosprezam a sua Tradição e o parecer dela acerca de como a Bíblia deve ser interpretada e aplicada.