quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Veja como você, católico, pode se defender de um argumento evangélico


Os católicos adoram os santos?

O Catecismo da Igreja Católica, no tocante ao emprego das imagens em suas cerimônias, declara o que se segue:

“2131. Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio ecumênico, de Nicéia (ano de 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova «economia» das imagens.

2132. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, «a honra prestada a uma imagem remonta (63) ao modelo original» e «quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada» (64). A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa», e não uma adoração, que só a Deus se deve:

«O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem» (65).” (Catecismo da Igreja Católica, 2131-2132.)”

A doutrina católica afirma que a Igreja recebeu de Jesus Cristo a autoridade, através do Espírito Santo, de deliberar quais são os princípios que a regem em quaisquer questões. Com a direção da égide divina, os líderes eclesiásticos promulgam preceitos sobre os quais a Igreja está pautada. Sendo assim, obras como o Catecismo da Igreja Católica é uma fonte válida de onde se podem extrair ensinos relevantes e verdadeiros acerca dos estatutos de Deus. Um dos principais equívocos de grupos adversários do catolicismo é alegar que somente as Escrituras Sagradas são suficientes para orientar o cristão, pois o próprio cânon da Bíblia foi elaborado por meio das medidas implementadas a partir dos Concílios que a Igreja Católica organizou com o objetivo de agregar as Letras Sacras em um só compêndio. Quem ignora, portanto, a Igreja, deveria também por consequência menosprezar a Bíblia.

Existem dois tipos de culto: Adoração (latria) e veneração (dulia). Toda celebração consagrada a Deus está compreendida nos cultos de adoração, ao passo que as reuniões que têm em mira venerar os santos tratam-se dos cultos que se classificam como dulia. Sendo assim, há distinção entre adorar e venerar.

Além disso, os santos, embora já estejam no reino celestial, podem receber preces que sejam a eles dirigidas. O Catecismo da Igreja explica, de forma mais incisiva, este assunto:

“956. A intercessão do santos. “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (Lumen Gentium 49)”

Como já declarado alhures, endosso que as regras instituídas pela Igreja constituem autoridade à qual os cristãos devem se subordinar, uma vez que tais princípios foram estatuídos por Deus e não pelo homem. Cumpre reiterar também que a máxima protestante do "Sola Scriptura" é infundado, pois considera a Bíblia o bastante, em termos de fé e prática, para o seguidor de Jesus.

Há exemplos relatados na Bíblia de cultos de reverência (dulia). Ei-los:

"E tornou a enviar um terceiro capitão de cinqüenta, com os seus cinqüenta; então subiu o capitão de cinqüenta e, chegando, pôs-se de joelhos diante de Elias, e suplicou-lhe, dizendo: Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida, e a vida destes cinqüenta teus servos." - 2 Reis 1:13

"E levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele. E vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro e inclinou-se à terra," - Gênesis 18:2

"Então saiu Moisés ao encontro de seu sogro, e inclinou-se, e beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda." - Êxodo 18:7

"Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra." - 1 Samuel 25:23

"Então Abraão se inclinou diante da face do povo da terra," - Gênesis 23:12

"E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão." -
Gênesis 33:3

"Então ela se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis que a tua serva servirá de criada para lavar os pés dos criados de meu senhor." - 1 Samuel 25:41

"
E Mefibosete, filho de Jônatas, o filho de Saul, veio a Davi, e se prostrou com o rosto por terra e inclinou-se; e disse Davi: Mefibosete! E ele disse: Eis aqui teu servo." - 2 Samuel 9:6

Quiçá, objetar-se-á se o fato de a Bíblia declarar que Cristo é o único mediador entre Deus e os homens não contradiz a doutrina católica da intercessão dos santos. A resposta a tal contraposição é simples e consiste em que os santos da Igreja apresentam a Jesus os méritos que alcançaram na Terra, Cristo por sua vez comunica ao Pai as petições que seus filhos rogaram aos santos. Não há contradição.

O culto de adoração é diferente do sobredito. Ele é consagrado tão somente a Deus e os santos não o recebem pois o Senhor é o único digno de ser adorado, além de o ato de adorar ao Pai demandar a execução de um sacrifício que é a ingestão da carne e do sangue de Cristo. A seguir, há exemplos que constam na Bíblia de cultos de adoração, para que a partir deles o leitor possa compreender as distinções entre ambos e assim perceber que os católicos não são idólatras:

"E Israel deteve-se em Sitim e o povo começou a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses." Números 25:1-2

"Porque Acaz tomou despojos da casa do SENHOR, e da casa do rei, e dos príncipes, e os deu ao rei da Assíria; porém não o ajudou. E ao tempo em que este o apertou, então ainda mais transgrediu contra o SENHOR, tal era o rei Acaz. Porque sacrificou aos deuses de Damasco, que o feriram e disse: Visto que os deuses dos reis da Síria os ajudam, eu lhes sacrificarei, para que me ajudem a mim. Porém eles foram a sua ruína, e de todo o Israel." - 2 Crônicas 28:21-23

No texto de 2 Reis 17:35, encontramos uma definição bastante acurada a respeito do que é a idolatria. Note que a prescrição abaixo se alude a temermos, inclinarmos, servirmos e prestar-lhes sacrifícios:

"Contudo o SENHOR tinha feito uma aliança com eles, e lhes ordenara, dizendo: Não temereis a outros deuses, nem vos inclinareis diante deles, nem os servireis, nem lhes sacrificareis." - 2 Reis 17:35

O ato de idolatrar, portanto, implica que alguém realize sacrifícios com o objetivo de agradar a divindade em que crê, além de servir aos deuses encurvando-se diante deles. O culto de veneração, porém, consiste em reconhecer perante os santos que eles são instrumentos e servos de Deus (não seres iguais ou superiores ao Senhor) os quais ocupam um posicionamento que está muito além daquele que possuímos, o que lhes confere a capacidade de interceder, por meio de Jesus, junto ao Pai em favor dos que neles exercem fé.

Assim como foi expendida uma passagem bíblica que explica de forma concisa o que vem a ser a idolatria, consta nas Escrituras Sagradas um texto que revela o que é de fato a adoração verdadeira:

"Mas o SENHOR, que vos fez subir da terra do Egito com grande força e com braço estendido, a este temereis, e a ele vos inclinareis e a ele sacrificareis. E os estatutos, as ordenanças, a lei e o mandamento, que vos escreveu, tereis cuidado de fazer todos os dias; e não temereis a outros deuses." 2 Reis 17:36-37

Os católicos observam os estatutos, ordenanças, os mandamentos e as leis de Deus? Sim. Temem eles a outros deuses e para honrá-los fazem sacrifícios como meio de lhes prestar culto? Não. Os críticos do catolicismo têm dificuldade em compreender as diferenças entre os conceitos de reverenciar, idolatrar e adorar segundo os princípios da Igreja Católica, a qual é a única que continua prestando a Deus o sacrifício que lhe é devido em toda Santa Missa quando é celebrada a Eucaristia: Jesus Cristo, cerimônia aquela que é baseada no próprio edito do Filho conforme promulgado por Ele em Lucas 22:17-20 e 1 Coríntios 11:23-29:

“E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus. E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.”Lucas 22:17-20

“E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus. E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” - Lucas 22:17-20

Jesus Cristo é o Cordeiro imaculado de Deus. Deveras, ele foi, de acordo com a teologia cristã ortodoxa, sacrificado para resgatar a humanidade de seus pecados. Toda vez que a Missa é celebrada, Jesus se faz presente no momento em que o pão e o vinho são ingeridos pela Igreja, o que configura a solenidade como referente ao sacrifício que se deve apresentar a Deus.

Em síntese, toda a altercação entre católicos e religiosos filiados a outros credos, se resume no fato de que a maior parcela de outros crentes não acredita na autoridade da Igreja, com efeito, menosprezam a sua Tradição e o parecer dela acerca de como a Bíblia deve ser interpretada e aplicada.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Jeová e a vingança


A Bíblia agrupa em si conceitos controversos, que provocam confusão na mente de quem a lê e a estuda minuciosamente, desde que isento dos preconceitos que certos dogmas preconcebidos inculcam nos religiosos. Não há dúvidas de que as Escrituras, em diversos âmbitos, são reprováveis e portanto de forma alguma podem ser consideradas como absolutamente inspiradas por Deus, o qual é perfeito e nele não pode haver qualquer nódoa moral em sua natureza. A despeito disso, a Bíblia testifica contradições no caráter de Jeová. A boa notícia neste caso, porém, é que sua moral sofre uma modificação positiva no Novo Testamento. Dispõem-se a seguir os trechos bíblicos que serão utilizados para a análise que se seguirá neste capítulo:

 

1.     Jesus Cristo estabeleceu, através do Evangelho que anunciou, o mandamento divino do amor mútuo entre os homens, conforme o relato evangelístico de João:

 

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” - João 13:34

 

Todavia, de acordo com o Evangelho segundo Mateus, Jesus Cristo fez alusão ao Antigo Testamento contrapondo um de seus mandados que foi legislado por Jeová, o qual em harmonia com a teologia da maioria dos cristãos, é o próprio Jesus:

 

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” -
Mateus 5:43-48

 

Cristo expôs um ponto de vista explicitamente discrepante daquele que Jeová implementou no Antigo Pacto para os seus servos. Entretanto, é um consenso entre inúmeros teólogos do cristianismo que Jesus é a mesma pessoa que Jeová. Poderia Deus contradizer a si mesmo? Não. Ele é onisciente e sua sabedoria e conhecimento não são passíveis de permuta, não sofrendo por conseguinte qualquer variação inclusive consoante as diferentes épocas e culturas da humanidade, pois que isto implicaria que Deus estivesse subordinado às transmutações que os humanos vivenciam, sendo que o Criador é sempre o mesmo por toda a eternidade e em quaisquer circunstâncias. Eis mais uma evidência de que não se deve crer em tudo o que diz a Bíblia.

 

Em adição, analisemos a seguir a pena de talião a qual foi instituída por Jeová no Antigo Pacto e abolida por ele mesmo quando supostamente veio ao mundo na pessoa de Jesus Cristo (leia novamente Mateus 5:43-48):

 

“Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.” - Êxodo 21:23-25

 

Acresce frisar também a permissão que Jeová outorgou a Moisés e às suas tropas para pelejarem e destruírem os midianitas, tendo por meta cumprir uma vingança contra os mesmos devido a um engano que, de acordo com Jeová, as massas que foram alvo dos ataques divinos teriam enganado o povo que o servia:

 

Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Afligireis os midianitas e os ferireis, porque eles vos afligiram a vós com os seus enganos com que vos enganaram no caso de Peor, e no caso de Cosbi, filha do príncipe dos midianitas, irmã deles, que foi morta no dia da praga no caso de Peor.  - Números 25:16-18

 

Contrastando a medida vingativa que Jeová deliberou instruir ao seu povo, este mesmo deus asseverou anos mais tarde quando encarnou na Terra no corpo de Jesus Cristo que dever-se-ia ser colocado em prática a indulgência, ao invés da desforra contra o próximo, ainda que este nos provoque algum mal:

 

“Então Jesus lhe disse: Mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.”Mateus 26:52

 

É indubitável que Jeová é um deus portador de conceitos controversos no que concerne à vingança. Ora através de Jesus ele declara que é ilícito pagar o mal com o mal, posto que noutra ocasião decreta o mandamento do amor que abona os atos malignos que uns provocam aos seus semelhantes. Portanto, qual é a posição de Jeová, definitivamente, no que toca ao tema da vingança? A resposta bíblica é contraditória e consequentemente indigna da nossa fé.

A ira e a vingança de Jeová

A Bíblia retrata um modelo divino segundo o qual existe um Deus iracundo, que desola o seu povo quando este não age conforme os seus preceitos. Com atrocidades e maldições, extermina todos os que se recusam a viver sujeitos aos seus mandamentos, ou os reprime com suplícios terríveis como lepra e tísica. Contudo, creio que Deus é pleno amor e justiça, por essa razão é incoerente afirmar que as medidas que Jeová sancionou para punir o seu povo são moralmente corretas. Ora, Deus é amor, portanto os meios com os quais repreende as pessoas de acordo com os relatos bíblicos, não podem ser considerados verdadeiramente inspirados, uma vez que Deus não pune ninguém matando ou torturando, ao invés disso, ele nos corrige para que galguemos os degraus de nossa escala moral.

 

A princípio, quiçá as afirmações que fiz provoquem o anseio por provas que concedam fundamento ao que digo. A Bíblia é a fonte das conclusões que teci em meus comentários precedentes, por isso, citarei as passagens que explicitam que Jeová é um ser que tem tendências a irar-se e que se compraz na vingança. Se Deus é perfeito, certamente Ele não é o deus bíblico.

 

1. Jeová, conforme as Escrituras, deixa-se induzir pela ímpia emoção da ira todos os dias. O escritor dessa passagem, que supostamente foi Davi, a complementou destacando que Deus é “juiz justo” apesar do absurdo que logo em seguida alega:

 

“Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias” - Salmos 7:11

 

2. Moisés esteve à mercê da fúria ardente de Jeová meramente em função de o profeta não desejar ter assumido a missão que o deus da Bíblia impôs a ele sem o seu consentimento.:

 

E disse-lhe o SENHOR: Quem fez a boca do homem? Ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o SENHOR? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar. Ele, porém, disse: Ah, meu Senhor! Envia pela mão daquele a quem tu hás de enviar. Então se acendeu a ira do SENHOR contra Moisés, e disse: Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele falará muito bem; e eis que ele também sai ao teu encontro; e, vendo-te, se alegrará em seu coração. E tu lhe falarás, e porás as palavras na sua boca; e eu serei com a tua boca, e com a dele, ensinando-vos o que haveis de fazer. E ele falará por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus. - Êxodo 4:11-16

 

3. A ira de Jeová é de tal maneira periclitante e obstinada que o mesmo anelou por consumir brutalmente o seu próprio povo pelo fato de este contrariar seus mandados. A disciplina de Jeová consiste em severos castigos e punições, que denotam uma desenfreada cólera que provém desse deus:

 

Disse mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que o meu furor se acenda contra ele, e o consuma; e eu farei de ti uma grande nação. - Êxodo 32:9-10

 

Pouco depois, Moisés retorquiu a Jeová e o censurou, o que o persuadiu a arrepender-se do desejo de causar o mal ao seu povo. O profeta induziu o deus a quem servia a rememorar-se das promessas, convênios e dos feitos que propiciou aos judeus. Dessa forma, Jeová desistiu do plano de destruir os israelitas concordando com os argumentos de Moisés:

 

“Moisés, porém, suplicou ao SENHOR seu Deus e disse: O SENHOR, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mão?
Por que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes, e para destruí-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira, e arrepende-te deste mal contra o teu povo. Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, os teus servos, aos quais por ti mesmo tens jurado, e lhes disseste: Multiplicarei a vossa descendência como as estrelas dos céus, e darei à vossa descendência toda esta terra, de que tenho falado, para que a possuam por herança eternamente. Então o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.
- Êxodo 32:11-14

 

O texto acima explicita claramente que o deus bíblico é volúvel e que os seus projetos podem modificar-se em conformidade com argumentos de reles humanos, os quais são, segundo a passagem supracitada, são ainda os homens capazes de persuadir o próprio deus a reformular os seus conceitos. No entanto, o Deus verdadeiro é portador de toda sabedoria e conhecimento, jamais podendo sujeitar-se, pois, a qualquer tipo de argumentação que se origina na mente humana.

 

4. Jeová, ao envolver-se em uma intriga entre Moisés, Arão e Miriã, se inflamou a sua ira contra esta última. Por conseguinte, Miriã sofreu as conseqüências do rancor de Javé e foi amaldiçoada por ele com uma grave lepra:

 

“Ora, falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cuchita que este tomara; porquanto tinha tomado uma mulher cuchita. E disseram: Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós? E o Senhor o ouviu. Ora, Moisés era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra. E logo o Senhor disse a Moisés, a Arão e a Miriã: Saí vos três à tenda da revelação. E saíram eles três. Então o Senhor desceu em uma coluna de nuvem, e se pôs à porta da tenda; depois chamou a Arão e a Miriã, e os dois acudiram. Então disse: Ouvi agora as minhas palavras: se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, a ele me farei conhecer em visão, em sonhos falarei com ele. Mas não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa; boca a boca falo com ele, claramente e não em enigmas; pois ele contempla a forma do Senhor. Por que, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés? Assim se acendeu a ira do Senhor contra eles; e ele se retirou; também a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã se tornara leprosa, branca como a neve; e olhou Arão para Miriã e eis que estava leprosa.” – Números 12:1-10

 

Este evento narrado pelas Escrituras avaliza a asserção de que o deus bíblico age movido pelo desejo não de ensinar aos seus filhos uma correção através de uma emenda salutar, em vez disso, inocula na saúde do seu povo a pestilência e a enfermidade. Em casos mais extremos, assassina-os. O Deus verdadeiro não pode ser Jeová, uma vez que o primeiro, embora detenha em si o poder de liquidar a vida de qualquer ser humano, não o faz em razão de em seu caráter não existir o atributo de um assassino que elimina vidas por motivos burlescos qual o descrito em Números 12:1-10.

 

5. Jeová, movido por voraz ira e anseio por castigar o seu povo de modo virulento, fez fender o solo onde estavam situados muitos dos que eram parte de Israel, para consolidar a sua justiça arbitrária e tirana contra os judeus que o haviam desobedecido. O verdadeiro Deus, em contrapartida, não age de modo brutal qual Jeová executa os seus juízos, ao invés disso, o Pai Celestial estabeleceu no Universo a Lei de Causa e Efeito, segundo a qual todo homem ceifa aquilo que semeia. O Pai Bendito não fende a terra para lançar almas ao Seol de modo que assim sejam punidas, Ele deixa que o homem receba em si mesmo a conseqüência dos males que obra com o fim de que seu caráter seja emendado ao longo de sua evolução espiritual:

 

“Subiram, pois, do derredor da habitação de Corá, Datã e Abirão. E Datã e Abirão saíram, e se puseram à porta das suas tendas, juntamente com suas mulheres, e seus filhos e seus pequeninos. Então disse Moisés: Nisto conhecereis que o Senhor me enviou a fazer todas estas obras; pois não as tenho feito de mim mesmo. Se estes morrerem como morrem todos os homens, e se forem visitados como são visitados todos os homens, o Senhor não me enviou. Mas, se o Senhor criar alguma coisa nova, e a terra abrir a boca e os tragar com tudo o que é deles, e vivos descerem ao Seol, então compreendereis que estes homens têm desprezado o Senhor. E aconteceu que, acabando ele de falar todas estas palavras, a terra que estava debaixo deles se fendeu; e a terra abriu a boca e os tragou com as suas famílias, como também a todos os homens que pertenciam a Corá, e a toda a sua fazenda. Assim eles e tudo o que era seu desceram vivos ao Seol; e a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação,” Números 16:27-33

 

6. Em decorrência de Israel ter se envolvido sexualmente com as filhas de Moabe e exercido o direito de escolher seguir uma religião alheia ao Judaísmo por terem servido a deuses diferentes de Jeová, este por sua vez teve a sua ira incitada pelos israelitas, os quais foram executados por um enforcamento ordenado por Jeová. Deveras, o deus bíblico se deixa induzir pela ira em diversas narrativas das Escrituras, o que indica que o seu humor é bastante suscetível de se encolerizar levando-o a implementar as mais bárbaras punições.

 

Ora, Israel demorava-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas de Moabe, pois elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses. Porquanto Israel se juntou a Baal-Peor, a ira do Senhor acendeu-se contra ele. Disse, pois, o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças do povo, e enforca-os ao senhor diante do sol, para que a grande ira do Senhor se retire de Israel.” – Números 25:1-4

 

Graças ao Deus verdadeiro nosso planeta não é regido por um tirano espiritual como Jeová.

 

7. Jeová não tem respeito pela liberdade religiosa de seu povo, o que o leva a imprimir severos castigos e punições sobre seus próprios escolhidos. No trecho a seguir, Javé tem o seu furor despertado devido ao culto que muitos prestaram a outros deuses. Jeová de tal maneira se sente irado que afirma que a sua fúria jamais cessará. Tal afirmativa não poderia proceder do verdadeiro Deus, já que em sua natureza não existe ira de qualquer tipo, mas somente justiça e amor, tampouco o Criador seria capaz de trazer males a alguém, como versa o texto bíblico. Ademais, para o Pai Celestial a religião de uma pessoa não é fator essencial para a sua redenção, mas tão somente o empenho que empreende com o objetivo de aperfeiçoar-se moralmente, malgrado qual seja a sua posição religiosa.

 

“Assim diz o Senhor: Eis que trarei males sobre este lugar e sobre os seus habitantes, conforme todas as palavras do livro que o rei de Judá leu. Porquanto me deixaram, e queimaram incenso a outros deuses, para me provocarem à ira por todas as obras das suas mãos, o meu furor se acendeu contra este lugar, e não se apagará.”2 Reis 22:16-17

 

8. O deus bíblico projetou guerras contra Amaleque ao cabo de gerações. É uma notória blasfêmia asseverar que o Deus verdadeiro perpetraria tamanho desatino cujo fim é destruir milhares de pessoas, dentre elas muitos bebês e mulheres grávidas inocentes que se encontram entre o povo alvo de ataques comandados por Jeová. Deus não provoca guerra alguma, são os homens que causam-na usando o nome do Criador para tentar justificar as desditas que obram uns contra os outros. Deus é amor, portanto não é o Senhor dos Exércitos, conforme declara a Bíblia.

 

“E disse: Porquanto jurou o Senhor que ele fará guerra contra Amaleque de geração em geração.” Êxodo 17:16

 

O intuito de Jeová ao ter proclamado contendas contra Amaleque por gerações foi vingar-se da tentativa de o mesmo ter impedido Israel de ter subido do Egito. Se Jeová fosse justo, implicaria que a sua medida corretiva estivesse em conformidade com a gravidade do delito exercido por Amaleque. No entanto, a punição que Javé engendrou contradiz totalmente a sua suposta natureza benéfica, tendo em vista que conforme a passagem seguinte, ele ordena que Amaleque seja completamente destroçado, até mesmo meninos e crianças de peito. Nem mesmo os animais escaparam das garras trevosas de Jeová:

 

“Assim diz o Senhor dos exércitos: Castigarei a Amaleque por aquilo que fez a Israel quando se lhe opôs no caminho, ao subir ele do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos.”1 Samuel 15:2-3

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Pode o cristão ofender quem não compartilha a mesma fé que a dele?

Todo cristão deve ser revestir de uma conduta ilibada, de acordo com aquela prescrita pela Bíblia. Devemos ser benignos, misericordiosos, humildes, mansos e longânimos. Não há na Escritura qualquer preceito que nos permita agir de maneira oposta a tais virtudes para com outrem:
 
“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade;” - Colossenses 3:12
 
A mensagem de Deus deve ser proclama com mansuetude àqueles que não a aceitam. Insultar os incrédulos não auxilia a obra de evangelização, apenas afasta-os do Pai:
 
“Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade,” - 2 Timóteo 2:25
 
Devemos responder aos que não professam a mesma fé que a nossa qual é a razão da esperança que há em nós. Invectivas não exprimem mansidão:
 
“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,” - 1 Pedro 3:15
 
Se Deus deveras está no coração de quem afirma seguí-lo, consequentemente possuirá as virtudes da presença do Pai em si. Quem profere vitupérios contra o próximo não está em consonância com o fruto do Espírito:
“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” - Gálatas 5:22
Devemos ser mansos para com todos os homens, sejam eles cristãos ou não. A Bíblia considera ilícito também que promovamos contendas. Ofensas geram ódio, que por sua vez desencadeia intrigas entre as pessoas:
 
“Que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens.” - Tito 3:2
 
Compete-nos que nos suportemos uns aos outros com amor:
 
“Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,” – Efésios 4:2
 
Paulo repudiava a prática de ofensas para com os outros. Por isso, exortou os crentes a agirem com espiritualidade, para encaminhar alguém que fosse ultrajado com espírito de mansidão. O apóstolo ressalvou também que não deveríamos nos deixar sermos também tentados:
 
“Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.” - Gálatas 6:1
 
Adaptemos em nós as virtudes de Deus Pai, que não têm parte com atitudes deletérias como ofender o nosso próximo, pois Ele exige que sigamos a justiça, a piedade, a paciência, a mansidão e congêneres:
 
“Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.” - 1 Timóteo 6:11
 
Através da longanimidade, podemos ser muito mais persuasivos, ao passo que dirigir improprérios ao próximo de nada o convence:
 
“Pela longanimidade se persuade o príncipe, e a língua branda amolece até os ossos.” -Provérbios 25:15
 
Enfim, sejamos equitativos, de forma que as virtudes e os efeitos da presença de Deus em nós seja manifesta a todos os homens:
 
“Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor.” - Filipenses 4:5

Deus já foi visto?


Há muitas controvérsias na Bíblia atinentes à perquirição de já ter alguém visto a Deus ou não. Algumas passagens esclarecem que isso jamais aconteceu, por outro lado, há trechos nas Escrituras que evidenciam que Deus não somente foi visto, mas que também teve um contato assaz próximo do homem. Que conclusão se deve inferir com base nestas contradições? Isto depende da opinião teológica a que cada cristão tem por predileção se aderir, que em geral está em concordância com as pressuposições particulares das seitas que integram.

 

Alguns cristãos alegam, com o intuito de se evadirem da nítida contradição das Escrituras, que os versículos que delineiam a questão ora em comento são alegóricos e que Deus não se apresentaria defronte seus servos de modo que estes literalmente o contemplassem, ao invés disso, “ver” a Deus significa vivenciar um sentimento pessoal cuja causa seria o Espírito Santo. Contudo, tal interpretação é obviamente uma argúcia oriunda de cristãos fundamentalistas quando confrontados com questões para as quais não podem articular respostas razoáveis. A Bíblia é bastante clara em certos trechos no que tange à aparição plenamente visível de Deus em determinadas circunstâncias narradas nas Escrituras, como em Gênesis 18.

 

No Novo Testamento, algumas passagens bíblicas atestam que Deus jamais foi visto. Ei-las:

 

Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.” - João 1:18

 

“E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer.” - João 5:37

 

“Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.” - 1 Timóteo 6:16

 

“E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco.” - Atos 9:7-8

 

O texto supracitado se enquadra especificamente à teologia dos que creem que Jesus Cristo é Jeová. De acordo com a doutrina da Trindade, pelo fato de Jesus ser Deus e ter recebido do Pai a exaltação após a Ressurreição, não foi visto por Saulo e tampouco por quem estava próximo da ocasião em que o perseguidor dos cristãos encontrou-se com o Líder dos mesmos.

 

Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.” - 1 João 4:12

 

Contrariando o exposto nas colocações anteriores, diversas passagens veterotestamentárias revelam que Deus se manifestou visivelmente a muitas pessoas. Os textos seguintes do Antigo Testamento são assaz incisivos, não permitindo outra interpretação dos termos que fazem alusão a enxergar ou ver a Deus salvo a literal.

 

“E apareceu o SENHOR a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.” - Gênesis 12:7

 

 “SENDO, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito.” - Gênesis 17:1

 

“1  DEPOIS apareceu-lhe o SENHOR nos carvalhais de Manre, estando ele assentado à porta da tenda, no calor do dia.

2  E levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele. E vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro e inclinou-se à terra,

3  E disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo.

4  Que se traga já um pouco de água, e lavai os vossos pés, e recostai-vos debaixo desta árvore;

5  E trarei um bocado de pão, para que esforceis o vosso coração; depois passareis adiante, porquanto por isso chegastes até vosso servo. E disseram: Assim faze como disseste.

6  E Abraão apressou-se em ir ter com Sara à tenda, e disse-lhe: Amassa depressa três medidas de flor de farinha, e faze bolos.

7  E correu Abraão às vacas, e tomou uma vitela tenra e boa, e deu-a ao moço, que se apressou em prepará-la.

8  E tomou manteiga e leite, e a vitela que tinha preparado, e pôs tudo diante deles, e ele estava em pé junto a eles debaixo da árvore; e comeram.

9  E disseram-lhe: Onde está Sara, tua mulher? E ele disse: Ei-la aí na tenda.

10  E disse: Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara escutava à porta da tenda, que estava atrás dele.

11  E eram Abraão e Sara já velhos, e adiantados em idade; já a Sara havia cessado o costume das mulheres.

12  Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho?

13  E disse o SENHOR a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: Na verdade darei eu à luz ainda, havendo já envelhecido?

14  Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR? Ao tempo determinado tornarei a ti por este tempo da vida, e Sara terá um filho.

15  E Sara negou, dizendo: Não me ri; porquanto temeu. E ele disse: Não digas isso, porque te riste.

16  E levantaram-se aqueles homens dali, e olharam para o lado de Sodoma; e Abraão ia com eles, acompanhando-os.” - Gênesis 18:1-16

 

O texto compreendido na referência Gênesis 18:1-16 é bastante sucinto em exprimir que Deus teve contato pessoal com Abraão, de modo que este pôde ver a Jeová perante si. Além disso, Abraão, solicitando a cooperação de sua esposa, ainda compartilhou com Deus algumas fatias de pão e trouxe a Javé um pouco de água.

 

Falou mais Deus a Moisés, e disse: Eu sou o SENHOR. E eu apareci a Abraão, a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, o SENHOR, não lhes fui perfeitamente conhecido.” - Êxodo 6:2-3

 

Nesta passagem das Escrituras, Jeová enfatiza a sua manifestação visível a Abraão revelando-a a Moisés como atesta a referência bíblica de Gênesis 12 e 18, alegando que apareceu inclusive a seus servos Isaque e Jacó. No entanto, talvez o leitor ainda não esteja persuadido de que Jeová em verdade se apresentava de forma visível em muitas ocasiões da Bíblia, por isso, recomendo a análise do trecho que se segue:

 

E subiram Moisés e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel. E viram o Deus de Israel, e debaixo de seus pés havia como que uma pavimentação de pedra de safira, que se parecia com o céu na sua claridade. Porém não estendeu a sua mão sobre os escolhidos dos filhos de Israel, mas viram a Deus, e comeram e beberam.” - Êxodo 24:9-11

 

Observe que o contexto é incisivo ao descrever a visão que presenciaram todos os 74 personagens bíblicos citados no trecho, afirmando que os mesmos viram a Deus e que debaixo dos pés deste havia “ como que uma pavimentação de pedra de safira, que se parecia com o céu na sua claridade”, evidenciando que Jeová foi visto, em sentido literal e não figurativo como argumentam alguns religiosos.

 

Moisés foi um profeta que teve o ímpar privilégio de ver a Deus face a face, como se ambos fossem íntimos amigos. A relação entre Javé e o codificador da Lei judaica era de tal maneira extravagante, que Moisés foi um dos homens que esteve diante de Deus, enxergando o seu rosto e proseando com o Senhor, conforme narram as Escrituras:

 

“E sucedia que, entrando Moisés na tenda, descia a coluna de nuvem, e punha-se à porta da tenda; e o SENHOR falava com Moisés. E, vendo todo o povo a coluna de nuvem que estava à porta da tenda, todo o povo se levantava e cada um, à porta da sua tenda, adorava. E falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo; depois tornava-se ao arraial; mas o seu servidor, o jovem Josué, filho de Num, nunca se apartava do meio da tenda.” - Êxodo 33:9-11

 

Mais adiante, no mesmo capítulo, Jeová adverte a Moisés que será visto por ele novamente, porém apenas pelas costas e não a sua face, como anteriormente acontecera:

 

“Disse mais o SENHOR: Eis aqui um lugar junto a mim; aqui te porás sobre a penha. E acontecerá que, quando a minha glória passar, pôr-te-ei numa fenda da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado. E, havendo eu tirado a minha mão, me verás pelas costas; mas a minha face não se verá.” - Êxodo 33:31-23

 

No livro de 1 Reis, é descerrado que Jeová se manifestou a Salomão aparecendo ao sábio rei.

 

“Então edificou Salomão um alto a Quemós, a abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de Jerusalém, e a Moloque, a abominação dos filhos de Amom. E assim fez para com todas as suas mulheres estrangeiras; as quais queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses. Pelo que o SENHOR se indignou contra Salomão; porquanto desviara o seu coração do SENHOR Deus de Israel, o qual duas vezes lhe aparecera.” - 1 Reis 11:7-9

 

De acordo ainda com 1 Reis, Deus foi novamente visto. São explicados detalhes da visão ao ser ressaltado o exército do céu que ao lado das mãos do Criador estava, deixando claro que o autor desta passagem em verdade viu a Deus de tal maneira que pôde indicar até mesmo a posição em que se encontravam as tropas celestiais em relação ao trono de Jeová:

 

“Então ele disse: Ouve, pois, a palavra do SENHOR: Vi ao SENHOR assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda.” – I Reis 22:19

 

Com o intuito de demonstrar que de fato Deus se tornou visível perante a face dos homens ao quais se referem os textos comentados em minha reflexão, analisemos a seguinte definição do vocábulo “aparecer” de acordo com o Dicionário online dicio.com.br:

“aparecer


Significado de Aparecer


v.i.                 Começar a ser visto, tornar-se visível, mostrar-se, surgir: a aurora está prestes a aparecer.
Estar publicado: este livro apareceu este ano.
Fig. Brilhar, fazer-se notar: procurar
aparecer.
Manifestar-se: seu orgulho aparece em todas as ocasiões.”

Como exposto na explanação supra do referido dicionário virtual, até mesmo a aplicação do termo “aparecer” assumindo uma conotação figurativa expressa a ideia de manifestar-se visualmente. Seria tamanha insensatez presumir não obstante que os trechos bíblicos em estudo neste capítulo devam ser compreendidos sob uma ótica metafórica, como argumentam alguns teólogos na tentativa de se esquivarem da verdade.

 

Prosseguindo a análise da Bíblia Sagrada, infere-se que há outras passagens que retratam que Deus se manifestou visivelmente não apenas nas ocasiões comentadas até então, mas inclusive em eventos como a revelação que transmitiu ao seu profeta, em Isaías 6. Recomendo ao leitor que reflita em todo este capítulo, de forma que irás notar que Isaías proseia com Jeová e descreve a sua visão meticulosamente, não deixando dúvidas de que no episódio narrado nesta passagem, Deus foi deveras literalmente visto.

 

“NO ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.  Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos. Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; e com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e expiado o teu pecado. Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado. Então disse eu: Até quando Senhor? E respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada. E o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. Porém ainda a décima parte ficará nela, e tornará a ser pastada; e como o carvalho, e como a azinheira, que depois de se desfolharem, ainda ficam firmes, assim a santa semente será a firmeza dela.”- Isaías 6:1-13

 

Com Jeová, Moisés dialogava com tamanha proximidade que a Bíblia relata que ambos proseavam “boca a boca”, de maneira que a forma de Javé podia ser contemplada, isto é, visualizada pelo profeta Moisés:

 

boca a boca falo com ele, claramente e não em enigmas; pois ele contempla a forma do Senhor. Por que, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?”- Números 12:8

 

Por fim, eis mais um trecho bíblico para completar este capítulo:

 

“Disse Manoá a sua mulher: Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus.”Juízes 13:22

 

Quem tem olhos para ver, veja. Veja que em muitos casos homens viram a Deus, mas ao mesmo tempo jamais viram, como relata a Bíblia.