quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Espíritos malignos sob o comando de Jeová


A Bíblia concebe a existência de um deus que pode enviar espíritos que induzem indivíduos a tecerem afirmações inverídicas, contrariando assim ao princípio de que o Pai Celestial não perpetra qualquer ato que o possa rebaixar a um estado de inferioridade moral, no qual o homem se encontra. É ilógico admitir-se que Deus, um Ser perfeito em todos os seus atributos, ordene ou permita que espíritos de baixa ordem se manifestem de modo que o Senhor crie um convênio, mesmo que indireto, com a mentira. É sabido, todavia, que certos teólogos obstinadamente procuram defender as passagens a seguir com pretextos que se fundam em mera retórica ou em interpretações alegóricas, que estão peremptoriamente alheios ao contexto ou ao significado simples dos textos que estão prestes a ser examinados, distorcendo-os de forma que se enquadrem no pressuposto inconsistente de que a Bíblia é inerrante.

 

“Agora, pois, eis que o SENHOR pôs um espírito de mentira na boca destes teus profetas; e o SENHOR falou o mal a teu respeito.” - 2 Crônicas 18:22

 

E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze assim. Agora, pois, eis que o SENHOR pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e o SENHOR falou o mal contra ti.” - 1 Reis 22:22-23

 

“E o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e atormentava-o um espírito mau da parte do SENHOR. Então os criados de Saul lhe disseram: Eis que agora o espírito mau da parte de Deus te atormenta;” - 1 Samuel 16:14-15

 

Como salientado anteriormente, há quem ouse defender tais passagens que explicitamente demonstram que Jeová não é em totalidade benévolo. Consultemos, pois, uma resposta que se encontra na internet, originada de um usuário do grupo Yahoo! Respostas e refutemo-la*:

 

“Com freqüência, na Bíblia se apresenta a Deus como fazendo aquilo que ele simplesmente não impede que aconteça.. Todo este quadro é uma parábola. Acabe tinha preferido ser guiado por profetas falsos, e Deus tão só permitiu que fosse guiado por esses profetas para sua ruína. 
Micaías queria dizer que os profetas de baal estavam mentindo para o rei, e que se ele acreditasse neles seria destruído.”

 

Os subterfúgios que se encontram nesta breve resposta são assaz nítidos. O articulista faz três asserções cruciais que concorrem para o esfacelamento de seu argumento:

 

1 – Deus não impede que a consumação da mentira suceda.

2 – O trecho bíblico é uma parábola.

3 – Deus permitiu que seu profeta fosse guiado por falsos profetas para causar a ruína do mesmo.

4 – Micaías não pretendeu dizer o que literalmente afirmou.

 

O argumento se fundamenta em quatro premissas espúrias, pois que se opõem à Lógica e à Hermenêutica. Seguem-se suas respectivas refutações:

 

1 – Eis um flagrante delito à Lógica e ao princípio da Perfeição Divina. Ora, não é necessário sobremodo esforço para eduzir que Deus não se coadunaria com a mentira, deixando que a mesma se consolide da forma como descreve claramente a Escritura.

 

2 – Usualmente, tal é a tática empregada por teólogos que estão arraigados no dogma de que a Bíblia não contém nem os mais exíguos equívocos. Interpretam um texto que é concisamente contraditório de modo alegórico, visando burlar a confissão de que nem tudo o que abrange as Escrituras deveras deve ser oriundo ou atribuído ao Pai Celestial.

 

3 – Outro flagrante desatino. O Pai Celestial nada obra com o fim de engendrar uma ruína contra qualquer pessoa, uma vez que todos estamos submetidos à lei de Causa e Efeito e que Ele é absolutamente bom, posto que nem por isso não envia provas para nos aperfeiçoar, o que não é o mesmo que arruinar ou esfacelar a vida de alguém. O Senhor estabeleceu no Universo leis que fazem com que nossos infortúnios sejam consequências da forma como utilizamos o nosso livre-arbítrio. A prática do mal, pois, culmina em certos males que nos sucedem.

 

4 – Violação da Hermenêutica. O sentido gramatical que se pode discernir pela leitura do texto em análise não deixa margem para a compreensão proposta pelo articulista, salvo se o método alegórico for aplicado tendo em mira eclipsar a notória veracidade de que nem tudo o que a Bíblia diz provém de fato do Pai Celestial.

 

Deplorável é que, não obstante o aprimoramento da Lógica ao longo de muitos séculos de avanço da Humanidade, haja quem se prontifique a ser um apologista dos absurdos bíblicos.

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