A Bíblia concebe
a existência de um deus que pode enviar espíritos que induzem indivíduos a
tecerem afirmações inverídicas, contrariando assim ao princípio de que o Pai
Celestial não perpetra qualquer ato que o possa rebaixar a um estado de
inferioridade moral, no qual o homem se encontra. É ilógico admitir-se que
Deus, um Ser perfeito em todos os seus atributos, ordene ou permita que
espíritos de baixa ordem se manifestem de modo que o Senhor crie um convênio,
mesmo que indireto, com a mentira. É sabido, todavia, que certos teólogos
obstinadamente procuram defender as passagens a seguir com pretextos que se
fundam em mera retórica ou em interpretações alegóricas, que estão
peremptoriamente alheios ao contexto ou ao significado simples dos textos que
estão prestes a ser examinados, distorcendo-os de forma que se enquadrem no
pressuposto inconsistente de que a Bíblia é inerrante.
“Agora, pois, eis que o SENHOR pôs um espírito
de mentira na boca destes teus profetas; e o SENHOR falou o mal a teu respeito.” - 2 Crônicas 18:22
“E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito
de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze
assim. Agora, pois, eis que o SENHOR pôs o espírito
de mentira na boca de todos estes teus profetas, e o SENHOR falou o mal contra ti.” - 1 Reis 22:22-23
“E
o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e atormentava-o um espírito mau da parte do SENHOR. Então os
criados de Saul lhe disseram: Eis que agora o espírito mau da parte de Deus te
atormenta;” - 1 Samuel 16:14-15
Como salientado
anteriormente, há quem ouse defender tais passagens que explicitamente
demonstram que Jeová não é em totalidade benévolo. Consultemos, pois, uma
resposta que se encontra na internet, originada de um usuário do grupo Yahoo!
Respostas e refutemo-la*:
“Com freqüência, na Bíblia se apresenta a Deus como
fazendo aquilo que ele simplesmente não impede que aconteça.. Todo
este quadro é uma parábola. Acabe tinha preferido ser guiado por
profetas falsos, e Deus tão só permitiu que fosse guiado por esses profetas para
sua ruína.
Micaías queria dizer que os profetas de baal estavam mentindo para o rei, e que se ele acreditasse neles seria destruído.”
Micaías queria dizer que os profetas de baal estavam mentindo para o rei, e que se ele acreditasse neles seria destruído.”
Os subterfúgios
que se encontram nesta breve resposta são assaz nítidos. O articulista faz três
asserções cruciais que concorrem para o esfacelamento de seu argumento:
1 – Deus não
impede que a consumação da mentira suceda.
2 – O trecho
bíblico é uma parábola.
3 – Deus
permitiu que seu profeta fosse guiado por falsos profetas para causar a ruína
do mesmo.
4 – Micaías não
pretendeu dizer o que literalmente afirmou.
O argumento se
fundamenta em quatro premissas espúrias, pois que se opõem à Lógica e à
Hermenêutica. Seguem-se suas respectivas refutações:
1 – Eis um
flagrante delito à Lógica e ao princípio da Perfeição Divina. Ora, não é
necessário sobremodo esforço para eduzir que Deus não se coadunaria com a
mentira, deixando que a mesma se consolide da forma como descreve claramente a
Escritura.
2 – Usualmente,
tal é a tática empregada por teólogos que estão arraigados no dogma de que a
Bíblia não contém nem os mais exíguos equívocos. Interpretam um texto que é
concisamente contraditório de modo alegórico, visando burlar a confissão de que
nem tudo o que abrange as Escrituras deveras deve ser oriundo ou atribuído ao
Pai Celestial.
3 – Outro
flagrante desatino. O Pai Celestial nada obra com o fim de engendrar uma ruína
contra qualquer pessoa, uma vez que todos estamos submetidos à lei de Causa e
Efeito e que Ele é absolutamente bom, posto que nem por isso não envia provas
para nos aperfeiçoar, o que não é o mesmo que arruinar ou esfacelar a vida de
alguém. O Senhor estabeleceu no Universo leis que fazem com que nossos infortúnios
sejam consequências da forma como utilizamos o nosso livre-arbítrio. A prática
do mal, pois, culmina em certos males que nos sucedem.
4 – Violação da
Hermenêutica. O sentido gramatical que se pode discernir pela leitura do texto
em análise não deixa margem para a compreensão proposta pelo articulista, salvo
se o método alegórico for aplicado tendo em mira eclipsar a notória veracidade
de que nem tudo o que a Bíblia diz provém de fato do Pai Celestial.
Deplorável é
que, não obstante o aprimoramento da Lógica ao longo de muitos séculos de
avanço da Humanidade, haja quem se prontifique a ser um apologista dos absurdos
bíblicos.
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