A Bíblia agrupa em si conceitos controversos,
que provocam confusão na mente de quem a lê e a estuda minuciosamente, desde
que isento dos preconceitos que certos dogmas preconcebidos inculcam nos
religiosos. Não há dúvidas de que as Escrituras, em diversos âmbitos, são
reprováveis e portanto de forma alguma podem ser consideradas como
absolutamente inspiradas por Deus, o qual é perfeito e nele não pode haver
qualquer nódoa moral em sua natureza. A despeito disso, a Bíblia testifica
contradições no caráter de Jeová. A boa notícia neste caso, porém, é que sua
moral sofre uma modificação positiva no Novo Testamento. Dispõem-se a seguir os
trechos bíblicos que serão utilizados para a análise que se seguirá neste
capítulo:
1. Jesus
Cristo estabeleceu, através do Evangelho que anunciou, o mandamento divino do
amor mútuo entre os homens, conforme o relato evangelístico de João:
“Um novo
mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que
também vós uns aos outros vos ameis.” - João 13:34
Todavia, de acordo com o Evangelho segundo Mateus, Jesus
Cristo fez alusão ao Antigo Testamento contrapondo um de seus mandados que foi
legislado por Jeová, o qual em harmonia com a teologia da maioria dos cristãos,
é o próprio Jesus:
“Ouvistes que
foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a
vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e
orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do
vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e
bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos
amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” - Mateus 5:43-48
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” - Mateus 5:43-48
Cristo expôs um ponto de vista explicitamente
discrepante daquele que Jeová implementou no Antigo Pacto para os seus servos.
Entretanto, é um consenso entre inúmeros teólogos do cristianismo que Jesus é a
mesma pessoa que Jeová. Poderia Deus contradizer a si mesmo? Não. Ele é
onisciente e sua sabedoria e conhecimento não são passíveis de permuta, não
sofrendo por conseguinte qualquer variação inclusive consoante as diferentes
épocas e culturas da humanidade, pois que isto implicaria que Deus estivesse
subordinado às transmutações que os humanos vivenciam, sendo que o Criador é
sempre o mesmo por toda a eternidade e em quaisquer circunstâncias. Eis mais
uma evidência de que não se deve crer em tudo o que diz a Bíblia.
Em adição, analisemos a seguir a pena de talião
a qual foi instituída por Jeová no Antigo Pacto e abolida por ele mesmo quando
supostamente veio ao mundo na pessoa de Jesus Cristo (leia novamente Mateus
5:43-48):
“Mas se houver
morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão,
pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.” - Êxodo 21:23-25
Acresce frisar também a permissão que Jeová
outorgou a Moisés e às suas tropas para pelejarem e destruírem os midianitas,
tendo por meta cumprir uma vingança contra os mesmos devido a um engano que, de
acordo com Jeová, as massas que foram alvo dos ataques divinos teriam enganado
o povo que o servia:
Falou mais o
SENHOR a Moisés, dizendo: Afligireis os midianitas e os
ferireis, porque eles vos afligiram a vós com
os seus enganos com que vos enganaram no caso de Peor, e no caso de
Cosbi, filha do príncipe dos midianitas, irmã deles, que foi morta no dia da
praga no caso de Peor. - Números 25:16-18
Contrastando a medida vingativa que Jeová
deliberou instruir ao seu povo, este mesmo deus asseverou anos mais tarde
quando encarnou na Terra no corpo de Jesus Cristo que dever-se-ia ser colocado
em prática a indulgência, ao invés da desforra contra o próximo, ainda que este
nos provoque algum mal:
“Então
Jesus lhe disse: Mete a tua espada
no seu lugar; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada
morrerão.” – Mateus
26:52
É indubitável que Jeová é um deus portador de
conceitos controversos no que concerne à vingança. Ora através de Jesus ele
declara que é ilícito pagar o mal com o mal, posto que noutra ocasião decreta o
mandamento do amor que abona os atos malignos que uns provocam aos seus
semelhantes. Portanto, qual é a posição de Jeová, definitivamente, no que toca
ao tema da vingança? A resposta bíblica é contraditória e consequentemente
indigna da nossa fé.
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