quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Jeová e a vingança


A Bíblia agrupa em si conceitos controversos, que provocam confusão na mente de quem a lê e a estuda minuciosamente, desde que isento dos preconceitos que certos dogmas preconcebidos inculcam nos religiosos. Não há dúvidas de que as Escrituras, em diversos âmbitos, são reprováveis e portanto de forma alguma podem ser consideradas como absolutamente inspiradas por Deus, o qual é perfeito e nele não pode haver qualquer nódoa moral em sua natureza. A despeito disso, a Bíblia testifica contradições no caráter de Jeová. A boa notícia neste caso, porém, é que sua moral sofre uma modificação positiva no Novo Testamento. Dispõem-se a seguir os trechos bíblicos que serão utilizados para a análise que se seguirá neste capítulo:

 

1.     Jesus Cristo estabeleceu, através do Evangelho que anunciou, o mandamento divino do amor mútuo entre os homens, conforme o relato evangelístico de João:

 

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” - João 13:34

 

Todavia, de acordo com o Evangelho segundo Mateus, Jesus Cristo fez alusão ao Antigo Testamento contrapondo um de seus mandados que foi legislado por Jeová, o qual em harmonia com a teologia da maioria dos cristãos, é o próprio Jesus:

 

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” -
Mateus 5:43-48

 

Cristo expôs um ponto de vista explicitamente discrepante daquele que Jeová implementou no Antigo Pacto para os seus servos. Entretanto, é um consenso entre inúmeros teólogos do cristianismo que Jesus é a mesma pessoa que Jeová. Poderia Deus contradizer a si mesmo? Não. Ele é onisciente e sua sabedoria e conhecimento não são passíveis de permuta, não sofrendo por conseguinte qualquer variação inclusive consoante as diferentes épocas e culturas da humanidade, pois que isto implicaria que Deus estivesse subordinado às transmutações que os humanos vivenciam, sendo que o Criador é sempre o mesmo por toda a eternidade e em quaisquer circunstâncias. Eis mais uma evidência de que não se deve crer em tudo o que diz a Bíblia.

 

Em adição, analisemos a seguir a pena de talião a qual foi instituída por Jeová no Antigo Pacto e abolida por ele mesmo quando supostamente veio ao mundo na pessoa de Jesus Cristo (leia novamente Mateus 5:43-48):

 

“Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.” - Êxodo 21:23-25

 

Acresce frisar também a permissão que Jeová outorgou a Moisés e às suas tropas para pelejarem e destruírem os midianitas, tendo por meta cumprir uma vingança contra os mesmos devido a um engano que, de acordo com Jeová, as massas que foram alvo dos ataques divinos teriam enganado o povo que o servia:

 

Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Afligireis os midianitas e os ferireis, porque eles vos afligiram a vós com os seus enganos com que vos enganaram no caso de Peor, e no caso de Cosbi, filha do príncipe dos midianitas, irmã deles, que foi morta no dia da praga no caso de Peor.  - Números 25:16-18

 

Contrastando a medida vingativa que Jeová deliberou instruir ao seu povo, este mesmo deus asseverou anos mais tarde quando encarnou na Terra no corpo de Jesus Cristo que dever-se-ia ser colocado em prática a indulgência, ao invés da desforra contra o próximo, ainda que este nos provoque algum mal:

 

“Então Jesus lhe disse: Mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.”Mateus 26:52

 

É indubitável que Jeová é um deus portador de conceitos controversos no que concerne à vingança. Ora através de Jesus ele declara que é ilícito pagar o mal com o mal, posto que noutra ocasião decreta o mandamento do amor que abona os atos malignos que uns provocam aos seus semelhantes. Portanto, qual é a posição de Jeová, definitivamente, no que toca ao tema da vingança? A resposta bíblica é contraditória e consequentemente indigna da nossa fé.

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