quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Veja como você, católico, pode se defender de um argumento evangélico


Os católicos adoram os santos?

O Catecismo da Igreja Católica, no tocante ao emprego das imagens em suas cerimônias, declara o que se segue:

“2131. Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio ecumênico, de Nicéia (ano de 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova «economia» das imagens.

2132. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, «a honra prestada a uma imagem remonta (63) ao modelo original» e «quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada» (64). A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa», e não uma adoração, que só a Deus se deve:

«O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem» (65).” (Catecismo da Igreja Católica, 2131-2132.)”

A doutrina católica afirma que a Igreja recebeu de Jesus Cristo a autoridade, através do Espírito Santo, de deliberar quais são os princípios que a regem em quaisquer questões. Com a direção da égide divina, os líderes eclesiásticos promulgam preceitos sobre os quais a Igreja está pautada. Sendo assim, obras como o Catecismo da Igreja Católica é uma fonte válida de onde se podem extrair ensinos relevantes e verdadeiros acerca dos estatutos de Deus. Um dos principais equívocos de grupos adversários do catolicismo é alegar que somente as Escrituras Sagradas são suficientes para orientar o cristão, pois o próprio cânon da Bíblia foi elaborado por meio das medidas implementadas a partir dos Concílios que a Igreja Católica organizou com o objetivo de agregar as Letras Sacras em um só compêndio. Quem ignora, portanto, a Igreja, deveria também por consequência menosprezar a Bíblia.

Existem dois tipos de culto: Adoração (latria) e veneração (dulia). Toda celebração consagrada a Deus está compreendida nos cultos de adoração, ao passo que as reuniões que têm em mira venerar os santos tratam-se dos cultos que se classificam como dulia. Sendo assim, há distinção entre adorar e venerar.

Além disso, os santos, embora já estejam no reino celestial, podem receber preces que sejam a eles dirigidas. O Catecismo da Igreja explica, de forma mais incisiva, este assunto:

“956. A intercessão do santos. “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (Lumen Gentium 49)”

Como já declarado alhures, endosso que as regras instituídas pela Igreja constituem autoridade à qual os cristãos devem se subordinar, uma vez que tais princípios foram estatuídos por Deus e não pelo homem. Cumpre reiterar também que a máxima protestante do "Sola Scriptura" é infundado, pois considera a Bíblia o bastante, em termos de fé e prática, para o seguidor de Jesus.

Há exemplos relatados na Bíblia de cultos de reverência (dulia). Ei-los:

"E tornou a enviar um terceiro capitão de cinqüenta, com os seus cinqüenta; então subiu o capitão de cinqüenta e, chegando, pôs-se de joelhos diante de Elias, e suplicou-lhe, dizendo: Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida, e a vida destes cinqüenta teus servos." - 2 Reis 1:13

"E levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele. E vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro e inclinou-se à terra," - Gênesis 18:2

"Então saiu Moisés ao encontro de seu sogro, e inclinou-se, e beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda." - Êxodo 18:7

"Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra." - 1 Samuel 25:23

"Então Abraão se inclinou diante da face do povo da terra," - Gênesis 23:12

"E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão." -
Gênesis 33:3

"Então ela se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis que a tua serva servirá de criada para lavar os pés dos criados de meu senhor." - 1 Samuel 25:41

"
E Mefibosete, filho de Jônatas, o filho de Saul, veio a Davi, e se prostrou com o rosto por terra e inclinou-se; e disse Davi: Mefibosete! E ele disse: Eis aqui teu servo." - 2 Samuel 9:6

Quiçá, objetar-se-á se o fato de a Bíblia declarar que Cristo é o único mediador entre Deus e os homens não contradiz a doutrina católica da intercessão dos santos. A resposta a tal contraposição é simples e consiste em que os santos da Igreja apresentam a Jesus os méritos que alcançaram na Terra, Cristo por sua vez comunica ao Pai as petições que seus filhos rogaram aos santos. Não há contradição.

O culto de adoração é diferente do sobredito. Ele é consagrado tão somente a Deus e os santos não o recebem pois o Senhor é o único digno de ser adorado, além de o ato de adorar ao Pai demandar a execução de um sacrifício que é a ingestão da carne e do sangue de Cristo. A seguir, há exemplos que constam na Bíblia de cultos de adoração, para que a partir deles o leitor possa compreender as distinções entre ambos e assim perceber que os católicos não são idólatras:

"E Israel deteve-se em Sitim e o povo começou a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses." Números 25:1-2

"Porque Acaz tomou despojos da casa do SENHOR, e da casa do rei, e dos príncipes, e os deu ao rei da Assíria; porém não o ajudou. E ao tempo em que este o apertou, então ainda mais transgrediu contra o SENHOR, tal era o rei Acaz. Porque sacrificou aos deuses de Damasco, que o feriram e disse: Visto que os deuses dos reis da Síria os ajudam, eu lhes sacrificarei, para que me ajudem a mim. Porém eles foram a sua ruína, e de todo o Israel." - 2 Crônicas 28:21-23

No texto de 2 Reis 17:35, encontramos uma definição bastante acurada a respeito do que é a idolatria. Note que a prescrição abaixo se alude a temermos, inclinarmos, servirmos e prestar-lhes sacrifícios:

"Contudo o SENHOR tinha feito uma aliança com eles, e lhes ordenara, dizendo: Não temereis a outros deuses, nem vos inclinareis diante deles, nem os servireis, nem lhes sacrificareis." - 2 Reis 17:35

O ato de idolatrar, portanto, implica que alguém realize sacrifícios com o objetivo de agradar a divindade em que crê, além de servir aos deuses encurvando-se diante deles. O culto de veneração, porém, consiste em reconhecer perante os santos que eles são instrumentos e servos de Deus (não seres iguais ou superiores ao Senhor) os quais ocupam um posicionamento que está muito além daquele que possuímos, o que lhes confere a capacidade de interceder, por meio de Jesus, junto ao Pai em favor dos que neles exercem fé.

Assim como foi expendida uma passagem bíblica que explica de forma concisa o que vem a ser a idolatria, consta nas Escrituras Sagradas um texto que revela o que é de fato a adoração verdadeira:

"Mas o SENHOR, que vos fez subir da terra do Egito com grande força e com braço estendido, a este temereis, e a ele vos inclinareis e a ele sacrificareis. E os estatutos, as ordenanças, a lei e o mandamento, que vos escreveu, tereis cuidado de fazer todos os dias; e não temereis a outros deuses." 2 Reis 17:36-37

Os católicos observam os estatutos, ordenanças, os mandamentos e as leis de Deus? Sim. Temem eles a outros deuses e para honrá-los fazem sacrifícios como meio de lhes prestar culto? Não. Os críticos do catolicismo têm dificuldade em compreender as diferenças entre os conceitos de reverenciar, idolatrar e adorar segundo os princípios da Igreja Católica, a qual é a única que continua prestando a Deus o sacrifício que lhe é devido em toda Santa Missa quando é celebrada a Eucaristia: Jesus Cristo, cerimônia aquela que é baseada no próprio edito do Filho conforme promulgado por Ele em Lucas 22:17-20 e 1 Coríntios 11:23-29:

“E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus. E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.”Lucas 22:17-20

“E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus. E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” - Lucas 22:17-20

Jesus Cristo é o Cordeiro imaculado de Deus. Deveras, ele foi, de acordo com a teologia cristã ortodoxa, sacrificado para resgatar a humanidade de seus pecados. Toda vez que a Missa é celebrada, Jesus se faz presente no momento em que o pão e o vinho são ingeridos pela Igreja, o que configura a solenidade como referente ao sacrifício que se deve apresentar a Deus.

Em síntese, toda a altercação entre católicos e religiosos filiados a outros credos, se resume no fato de que a maior parcela de outros crentes não acredita na autoridade da Igreja, com efeito, menosprezam a sua Tradição e o parecer dela acerca de como a Bíblia deve ser interpretada e aplicada.

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