A
postagem que irei desmantelar a seguir provém de uma página do Facebook que se
destina a defender o cristianismo tradicional que, como sabem muitos,
frequentemente possui uma ideologia exclusivista, que concebe a crença de um
Deus déspota que julga a humanidade de acordo com a religião que cada um de nós
professa, ao invés de seu juízo estar baseado no caráter de todo indivíduo.
Acompanhe o raciocínio a seguir de um moderador da página à qual me aludi:
"Pluralista Religioso: "Você é um intolerante, está afirmando que só a sua religião, o Cristianismo, é o verdadeiro. Você está errado; Todas as religiões levam até Deus!"
Cristão: "Então está dizendo que somente a sua visão a respeito de Deus está correta, e que todas as demais, inclusive o Cristianismo, estão erradas em detrimento da sua?"
Pluralista Religioso: "...é ... Sim."
Cristão: "Pois bem, qual a diferença então? Sua visão parece-me tão "intolerante" quanto qualquer outra."
Cristão: "Pois bem, qual a diferença então? Sua visão parece-me tão "intolerante" quanto qualquer outra."
Pluralista Religioso: "(...)"
- Kauê Varela"
Principiemos a refutação...
"Pluralista
Religioso: "Você é um intolerante, está afirmando que só a sua religião, o
Cristianismo, é o verdadeiro. Você está errado; Todas as religiões levam até
Deus!"
Sim,
consiste em uma intolerância e insensatez gritantes a fé em um Deus que aplica
sobre nós a sentença do fogo eterno por não termos "aceitado Jesus".
Aparentemente, as vertentes do cristianismo que pregam essa forma de pensamento
adotam uma postura religiosa intolerante que é eclipsada pela justificativa da
liberdade de expressão. Ora, um Deus perfeito não pode possuir sequer um vestígio
de imoralidade em Sua natureza. Uma crença que imputa ao Criador o apanágio de
um ser que repudia suas criaturas em função dos dogmas em que creem nada mais
reflete que a ideia de uma espécie de ditador universal que exige que sigamos
uma religião específica, pois, do contrário, seremos lançados no lago de fogo e
enxofre por toda a perpetuidade.
Cristão: "Então está dizendo que somente a sua visão a respeito de Deus
está correta, e que todas as demais, inclusive o Cristianismo, estão erradas em
detrimento da sua?"
Pluralista Religioso: "...é ... Sim."
Pluralista Religioso: "(...)"
- Kauê Varela"
Caso a
resposta do pluralista seja "sim", poderia ele ser comparado ao
cristão que apóia uma doutrina religiosa exclusivista. Para quem crê, todavia,
que a única rota que conduz o homem a Deus é a prática do amor ao próximo, a
religião que professamos simplesmente não é um fator ou critério preponderante
para justificação humana perante o Senhor. Portanto, não importa qual seja a
nossa fé ou religião, seremos todos acolhidos por Deus desde que coloquemos em
prática seus preceitos morais, apenas.
Quiçá seja formulada, não obstante, uma objeção quanto à visão acerca
de Deus descrita no parágrafo que dissertei precedentemente. Quem sabe os
apologistas cristãos tentem retorquir novamente o raciocínio pluralista por eu
crer que a religião de um indivíduo não é um requisito para a sua salvação, e
que por isso eu também me enquadraria na escória dos exclusivistas por
acreditar que a minha maneira de pensar é a correta. Contudo, minha crítica ao
particularismo cristão visa impugnar a crença blasfema de que Deus nos redime
mediante nossa fé, em vez de ser conforme nossa índole. Ao invés de ser
exclusivista e particularista, concebendo um déspota universal que governa o
mundo arbitrariamente, o pensamento pluralista religioso postula a fé em um
Deus isento de preconceitos de qualquer gênero, inclusive aqueles ligados à
religiosidade. Portanto, o pluralismo
religioso a bem da verdade, não pode ser acoimado de intolerante em hipótese
alguma, já que repudia a crença em um Deus exclusivista.
Em suma, o conceito de exclusivismo religioso que todo pluralista
pretende redarguir é aquele que define-se como a fé em um Deus que exclui seus
filhos da felicidade eterna por motivos de querelas e opiniões religiosas.
Afinal, isto é uma afronta à benevolência do Criador, por conseguinte, é nítido
que o cristianismo exclusivista é uma fé logicamente inconsistente, embora,
como já frisei, não seja ela ou qualquer outra religião imprescindível para a
salvação divina.
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Após divulgar meus argumentos, fui contestado, como era de se predizer. Seguem-se as minhas réplicas e as críticas do meu interlocutor:
“Achei até interessante essa
postagem, mas não nos é apresentado absolutamente nenhuma evidencia, a não ser
a fé da pessoa que escreve, que o pluralismo religioso contém a verdadeira
visão a respeito de Deus. Foi falado: “Deus não julga a religião da pessoa, mas
seu amor para com o próximo...” a pergunta que faço é esta: DE ONDE VOCÊ TIROU
ESTA IDEIA? Por acaso não é de Marcos 12.33?? Todo o seu fundamento está nessa
vertente: DEUS NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS, LOGO, ELE NÃO PODE CONDENAR AS
RELIGIÕES.”
Em momento algum
ressaltei que meu posicionamento acerca das religiões está embasado em um
versículo da Bíblia. Minhas conclusões pessoais acerca de Deus e a forma com a
qual ele se relaciona com a humanidade advém de uma série de crenças
diferentes, as quais eu mesmo, por intermédio do crivo da lógica (o que
responde também ao argumento de que expus apenas minha opinião individual),
avaliei com o fim de deduzir o que havia de mais racional naqueles dogmas. Mas,
suponhamos, entretanto, que meu ponto de vista estivesse baseado na Bíblia.
Ora, só porque uma de suas passagens está correta ou de acordo com uma
filosofia racional, não significa que a obra completa deva ser considerada
inspirada por Deus. Por essa e outras razões, eu não acredito em tudo o que
dizem as Escrituras.
“Todavia isso infere em uma
falácia genética: esta idéia vem da bíblia! Mais especificamente de Romanos
2:11. Então é muito cômodo se utilizar de versos como esse para apoiar uma
doutrina, e ignorar uma regra fundamental: hermenêutica; afinal, se você crê
que Romanos 2:11 é a verdade, porque não crê que João 14.6 também é (“Eu sou o
caminho a Verdade, e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por Mim”).”
Eu não pude compreender qual foi
o motivo pelo qual você alegou que eu me apoiei em um trecho da Bíblia para
expor minhas colocações a respeito do pluralismo. Minha dissertação não fez
alusão a textos bíblicos. Apesar disso, caso eu o tivesse feito, certamente não
assimilaria a citação de João 14:6 literalmente, afinal, seria no mínimo
blasfemo crer em um tipo de interpretação das palavras de Jesus que tisna o
caráter imaculado de Deus. Ao meu ver, interpretar algo que o Cristo declarou de
uma forma que nos induza a conceber uma idéia incoerente a respeito de Deus,
deve ser repudiada, assim como o entendimento literal de outras passagens como
aquelas nas quais Jesus afirma que devemos decepar de nossos corpos os membros
que nos incitam o desejo pelo pecado (Marcos 9:43-47). Não conheço ninguém que
interprete este trecho em um sentido literal, por questão de bom senso.
Caso queira, Pensador teológico, desmentir uma cosmovisão “exclusivista”, não se apóie nas verdades desta visão... PENSE melhor! Josh MacDowell diz com propriedade:
“O Cristianismo não é uma religião. Religião se classifica como seres humanos tentando alcançar a Deus por meio de boas obras. O Cristianismo é Deus vindo aos homens e mulheres por meio de Jesus Cristo”.
Eu
conheço esta linha teológica. Já fui cristão protestante.
“Vale agora, deixar bem
claro do que se trata o pluralismo religioso, nas palavras de Willian Craig:
“Essa visão de que “todas as religiões levam á Deus", freqüentemente são expostas por pessoas leigas e por estudantes do segundo ano da faculdade, e está enraizada na ignorância do que as grandes religiões do mundo ensinam. Qualquer um que estudou religiões comparadas sabe que a cosmovisão proposta por essas religiões são, com freqüência, diametralmente opostas uma às outras. Apenas verifique o Islamismo e o budismo, por exemplo. A cosmovisão delas não tem quase nada em comum. O Islamismo crê que há um Deus pessoal que é onipotente, onisciente, e santo, e que criou o mundo. Ele crê que as pessoas são pecaminosas e necessitadas do perdão de Deus, que o céu eterno ou o inferno nos espera após a morte, e que nós devemos ganhar a nossa salvação pela fé e por atos religiosos.
O budismo nega todas essas coisas. Para o budista clássico, a realidade ultima é impessoal, o mundo é incriado, não há “eu” duradouro, o alvo supremo da vida não é a imortalidade pessoal, mas a aniquilação, e as idéias de pecado e salvação não exercem nenhum papel. Exemplos como esse poderiam ser multiplicados. Claramente, todas as religiões não podem ser verdadeiras, justamente por elas apresentarem visões contraditórias a respeito da natureza da realidade ultima, do mundo, do homem, dos valores morais, e assim por diante. Essa visão pluralista é, portanto, insustentável”.
“Essa visão de que “todas as religiões levam á Deus", freqüentemente são expostas por pessoas leigas e por estudantes do segundo ano da faculdade, e está enraizada na ignorância do que as grandes religiões do mundo ensinam. Qualquer um que estudou religiões comparadas sabe que a cosmovisão proposta por essas religiões são, com freqüência, diametralmente opostas uma às outras. Apenas verifique o Islamismo e o budismo, por exemplo. A cosmovisão delas não tem quase nada em comum. O Islamismo crê que há um Deus pessoal que é onipotente, onisciente, e santo, e que criou o mundo. Ele crê que as pessoas são pecaminosas e necessitadas do perdão de Deus, que o céu eterno ou o inferno nos espera após a morte, e que nós devemos ganhar a nossa salvação pela fé e por atos religiosos.
O budismo nega todas essas coisas. Para o budista clássico, a realidade ultima é impessoal, o mundo é incriado, não há “eu” duradouro, o alvo supremo da vida não é a imortalidade pessoal, mas a aniquilação, e as idéias de pecado e salvação não exercem nenhum papel. Exemplos como esse poderiam ser multiplicados. Claramente, todas as religiões não podem ser verdadeiras, justamente por elas apresentarem visões contraditórias a respeito da natureza da realidade ultima, do mundo, do homem, dos valores morais, e assim por diante. Essa visão pluralista é, portanto, insustentável”.
- Apologética para questões
difíceis da vida, pág. 165”
Tenho
muito respeito e reverência por William Lane Craig. Ele defende com maestria a
existência de Deus, malgrado em muitos pontos teológicos os seus argumentos não
serem, segundo o meu parecer, válidos. O apologista, no quadro por
exemplificado, estabelece como alicerce de seu arrazoamento a assertiva de que,
se as religiões caracterizam-se por doutrinas peculiares e que portanto são
contraditórias, em conseqüência de tal fato o pluralismo é insustentável.
Todavia, o pensamento pluralista não tem por desígnio determinar se uma
religião qualquer é verdadeira ou falsa, já que a religiosidade humana não é
critério relevante para a sua salvação. Assim, mesmo que a crença de alguém
seja filosoficamente comprovada ser espúria, Deus não a condenará em função
dessa causa, porquanto “a verdadeira
religião é a reforma íntima dos indivíduos, o que não se consegue com dogmas,
rituais, cultos e outras formas exteriores de religiosidade.” – José Carlos
Leal.
No
tocante a confiar em tudo o que a Bíblia exprime, recomendo que você leia o
artigo a seguir:
Não
quero que minha argumentação se delimite a um julgamento lógico da fé cristã ortodoxa,
pelo que gostaria de aconselhar a você a leitura dos fatos concretos acerca das
Escrituras que são explanados no arquivo referenciado.
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