segunda-feira, 4 de março de 2013

As chamas do inferno - Interpretando a Bíblia literalmente

Talvez o prezado leitor já tenha indagado a si mesmo qual é a metodologia do julgamento divino para penalizar as almas que, durante suas estadias na Terra, transgrediram os mandamentos de Deus e viveram de um modo indiferente quanto às suas responsabilidades perante a justiça divina.

Particularmente, creio que Deus pune o homem consoante a soma de bem ou mal que tenha obrado enquanto viveu no mundo, sendo por isso a pena ulterior que recebemos diretamente proporcional às infrações que cometemos contra as leis instituídas pelo Criador do Universo. Em outras palavras, o mecanismo da Justiça Divina subentende o que denomino Causa e Efeito Espirituais, ou seja, todas as coisas que fazemos ao cabo de nossas vidas enquanto estivermos no plano material, irão desencadear uma cadeia de efeitos decorrentes dos nossos atos e escolhas terrenas. Considero a minha visão sensata e logicamente coerente com os atributos de Deus, até o presente momento.

O que afirma, por outro lado, a Bíblia Sagrada no que tange às punições que Deus inflige aos ímpios? Sumarizarei o ensino bíblico sobre este tema em uma palavra: Inferno. Jeová condena por toda a perpetuidade almas que agonizam no tamanho aziago destino das chamas que não possuem termo. Esta concepção é justa? Obviamente não. O inferno contradiz a lógica e a razão, conforme elucida o argumento abaixo:

1.     Deus Pai é amor.
2.     Deus Pai é justiça.
3.     A justiça está atrelada ao amor.
4.     O amor não permite e tampouco pode impor uma eternidade de sofrimentos.
5.     Portanto, o inferno não existe.

A justiça está subordinada ao amor porque sem este a primeira seria ineficaz e parcial, já que sem o amor não pode existir retidão genuína na justiça. O amor é exorável e nele não pode haver sombra alguma de truculência e, por conseguinte, jamais procederia dele a crueldade sem fim que compreende a doutrina do inferno. Conclui-se que não há inferno.

A Bíblia, em contrapartida, faz afirmativas acerca da realidade de um lago de fogo e enxofre para onde são encaminhadas as almas de todos os que não creram nas Escrituras ou em Jesus. Analisemos a seguir como o inferno é descrito pela Bíblia.

“E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna - Mateus 25:31-46

” - Isaías 33:14

"Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes... Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes." - Mateus 13:41, 42, 49, 50

"E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo." - Apocalipse 20:15

"Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro." - Apocalipse 14:9-10

"A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível."Mateus 3:12

"No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio." - Lucas 16:23

Conforme demonstram os textos bíblicos referenciados acima, Jeová condena à eternidade de penas quem tem por infortúnio não seguir os seus mandamentos. O caráter do deus bíblico é evidentemente terrífico e homens cruéis como Hitler e Stalin seriam meros amadores diante de tamanha malignidade por parte de um ser como Jeová.

Segundo o ponto de vista de Adolf Hitler e seus seguidores, era justa a aniquilação dos judeus; semelhantemente, na opinião de Stalin e seus discípulos, o extermínio de milhares de vidas com o fim de consolidar seus propósitos foi equitativo. Hoje, creio que de forma não muito diferente, os cristãos defendem Jeová afirmando que é justo atormentar por séculos infindáveis os que não o receberam como Senhor. Isso não é amor, é estupro. É uma alienação do senso de justiça humano. O inferno não é real.

Uma estratégia de coerção para induzir pessoas a aceitarem o cristianismo como a doutrina do inferno não pode ter origem em Deus, que é Soberano em Amor e Benevolência. Tampouco faz sentido que a represália divina seja um castigo que se prolonga por toda a eternidade, porque Deus é compassivo e não permitiria que suas criaturas agonizassem para todo o sempre em chamas ardentes.

O mecanismo criado por Deus para gerir a sua própria Justiça não é a punição, mas sim a correção. A repreensão divina tem a sua gradação diretamente proporcional à soma de bem e mal posto em prática por cada pessoa; não está sujeita à fé, crença ou religião de ninguém, pois Deus não tem preconceitos religiosos. Ele respeita a liberdade que todo ser humano goza de compreendê-lo da maneira que julgar mais coerente, desde que respeitando o próximo.

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