terça-feira, 5 de março de 2013

A Bíblia e a doutrina da Reencarnação - Ponto de vista espírita


Como se não bastassem as doutrinas desprovidas de qualquer lógica que estão contidas nas páginas da Bíblia, há também no dito livro sagrado ensinamentos que contradizem a doutrina da Reencarnação. Segundo este sistema teológico, somos aquilo que decidimos ser por opção e esforço individual, ou seja, toda a humanidade está imersa na lei da semeadura, que se baseia no axioma “A cada um será dado segundo as suas obras” e na máxima: “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará”, ambas pronunciadas por Jesus Cristo.

A Bíblia encerra uma doutrina que abstrai-se da Justiça Divina, pois prega a existência de um julgamento ulterior que será gerido por um deus rancoroso sedento por condenar a humanidade pela religião, espiritualidade ou fé a que nos aderimos durante nosso viver. Ao invés de Jeová ater-se somente ao bem que nos empenhamos por fazer, ele deseja nos reprovar mediante querelas religiosas. Se não aceitarmos os dogmas instituídos na Bíblia, nos será imposta a sentença da eternidade do fogo do inferno. O Deus verdadeiro, em contrapartida, nos faculta as oportunidades necessárias para percorrermos a rota de nossa evolução espiritual, ao invés de nos lançar em chamas eternas em função de uma vida de pecados temporários e por termos crido em uma religião que não esteja em conformidade com preceitos bíblicos.

Argumentam alguns grupos religiosos que a Bíblia é a única regra de fé e prática do servo de Jeová. Interpretam eles, por isso, algumas palavras de Jesus em um sentido que vem a conceber que Cristo se referia ao mencionado livro sagrado toda vez que utilizava a expressão “palavra de Deus”. Ao meu ver, esse modo de compreender Jesus deturpa o que ele teve por intuito transparecer de fato com a destacada expressão, tendo em vista que o Mestre combateu com afinco dogmas absurdos de sua época, como certamente faria hoje em relação à doutrina da inerrância e autoridade absoluta das Escrituras. Analisemos, não obstante, os versos que supostamente se contrapõem à reencarnação:

"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça". – 2 Timóteo 3:16

Segundo a opinião de diversos religiosos, o termo “Escritura” remete-se à Bíblia. Digno de nota é que o volume sagrado foi compilado séculos depois da redação de todos os livros que a Igreja mais tarde denominou “Bíblia”. Os apóstolos não poderiam estar fazendo qualquer alusão às Escrituras qual nós a temos hoje, a menos que os sequazes de certas religiões creiam no anacronismo explicitado.

Quanto à asserção de que Jesus embasava seus ensinos na Bíblia, devo objetar novamente que os livros do Novo Testamento nem os da Antiga Aliança haviam sido reunidos em um só volume pela Igreja Católica (que também não existia). Como, portanto, Jesus poderia pretender aludir-se a um livro que em sua época não havia ainda sido compilado? Somente tinha ele acesso aos manuscritos sagrados do Judaísmo, como a Torá. Os judeus consideravam tais documentos como sendo de origem divina, entretanto não há nenhuma afirmação objetiva de Jesus que confirme sua crença no mesmo dogma, nem sequer os trechos seguintes:

"A tua palavra é a verdade" – João 17:17

"Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" - Mateus 4:4

A sentença que Jesus emitiu no deserto, a saber, “toda palavra que procede da boca de Deus” implica necessariamente que ele estava se reportando à Bíblia? Não. Teólogos católicos e protestantes formularam doutrinas alheias aos ensinamentos do Mestre e adaptaram as suas palavras às pressuposições que criaram, pelo que o termo “palavra” nesta passagem como em muitas outras passou a ser sinônimo de “Bíblia Sagrada”. A “palavra de Deus”, em sua conotação original, é tudo o que há de verdadeiro. Ora, se nem tudo o que a Bíblia diz é verdade, ela não pode ser em totalidade qualificada como a “palavra de Deus”, segue-se, pois, que argumentos fundamentados no livro sagrado dos cristãos nem sempre são racionalmente consistentes.

Outro pretexto frisado por alguns sectários de religiões para negarem a reencarnação é que Jesus recomendou que examinássemos as Escrituras em decorrência de que as mesmas testificam dele, conforme reza a passagem:

"Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida" - João 5.39-40

Mais uma vez, nota-se que nossos irmãos religiosos cometem o erro de confundirem a Bíblia Sagrada como a temos em mãos hoje com os antigos manuscritos sagrados do Judaísmo. Além disso, o Mestre Jesus em nenhum momento pretendeu delinear através de sua afirmação que cria em toda a revelação do cânone judaico, mas apenas aconselhou que a examinássemos para que através dela estivéssemos a par do que a mesma declara a respeito de Cristo. Isto é diferente de dizer que é mister que acreditemos em toda a Bíblia do contrário seremos lançados no inferno por toda a perpetuidade.

Jesus, além do mais, usava as Escrituras sempre que nela encontrava algum suporte para os princípios que trouxera ao mundo. Por isso, os judeus de sua época o consideravam um herege, em virtude de retirar certas passagens do contexto em que se situavam para justificar o seu ponto de vista espiritual, sendo em razão disso certa vez até mesmo ameaçado de apedrejamento por blasfêmia:

“Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.
Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.
Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?
- João 10:29-36

Similarmente, é deplorável que haja nos dias de hoje religiosos os quais são como os judeus do passado, por exprobrarem pessoas como eu de heresia por extraírem da Bíblia certos trechos que segundo a hermenêutica que sustentam, estão todos descontextualizados. No entanto, eu me recuso a aceitar a inspiração divina completa da Bíblia e concordo apenas parcialmente com as doutrinas que o livro contêm, compreendendo-o à luz da lógica que Deus Pai incorporou na mente humana.

Não obstante, os religiosos citam outro texto, na tentativa de embasar a idéia de que quem crê na reencarnação não conhece as Escrituras, conforme os seguintes dizeres de Jesus:

"Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" - Mateus 22.29

Ora, na ocasião em que Jesus assim se manifestou, estava ele apresentando uma explicação acerca do tema ressurreição. Já que os judeus estavam de tal maneira engajados nos dogmas dos textos sagrados em que acreditavam, Cristo demonstrava sapiência ao explanar as diretrizes espirituais fazendo com as mesmas analogias com conceitos presentes na fé judaica.

Outros religiosos se fundamentam na convicção de que Jesus considerava a Bíblia como sendo a Palavra de Deus devido à seguinte passagem:

 Lucas 16:29-31

De acordo com o argumento de certas religiões, Jesus Cristo fez alusão aos profetas do Antigo Testamento, o que induziria-nos a depreender que o Mestre por isso qualificava a lei e os profetas como totalmente sagradas. Nisto, porém, residem os equívocos da interpretação que um sem número de religiões adotam. O primeiro erro está associado à negligência que os religiosos fazem no que diz respeito ao contexto cultural em que Jesus se situava, o qual era judaico e exacerbadamente imbuído de um dogmatismo que em sua época era vigente. Portanto, Jesus elaborava suas parábolas de modo que estas estivessem em harmonia com alguns princípios do Judaísmo, o que obviamente era uma estratégia do Mestre para atrair com mais eficiência o interesse dos religiosos de seu tempo pelas mensagens que estava difundido.

Nos dias hodiernos, contudo, urge que a humanidade faça distinção entre o objetivo central de tudo o que Jesus ensinou e os meios que ele utilizou para transmitir suas doutrinas, já que estes últimos eram em geral produtos da cultura e religião de seu tempo, que ele incorporava em suas parábolas e metáforas para a melhor compreensão de seus ouvintes. Basta que nos coloquemos no lugar de Jesus para que possamos entendê-lo da maneira correta, pois nem sempre a interpretação literal daquilo que foi dito por ele é logicamente coerente.

Quanto aos demais livros bíblicos, que dizem acerca da reencarnação? Consultemos o mais citado verso da Bíblia comumente mencionado pela vasta maioria dos religiosos para justificar sua descrença na referida doutrina:

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,” - Hebreus 9:27

Nada irei impugnar no que diz respeito ao trecho de Hebreus. Se há adeptos de credos que preferem crer naquilo que afirmaram autores da Bíblia que expressaram uma opinião doutrinária divergente daquela que Jesus pontificou aos homens, que assim seja. Não estou disposto a concordar com o parecer de pessoas que discordem do que Jesus Cristo ensinou, a menos que alguém possa me provar que o Mestre instruiu os seus seguidores a se adunarem a ensinamentos espúrios. Repilo, do mesmo modo, passagens bíblicas como as seguintes também, pelo fato de supostamente censurarem a reencarnação:

"Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito" - 1 Pedro 3.18

O texto compreendido em 1 Pedro 3:18 é outro subterfúgio usado por religiosos para negligenciarem a reencarnação, pois de acordo com a opinião de algumas pessoas aderidas a movimentos que não são reencarnacionistas, basta que creiamos em Jesus como o Salvador de nossas almas para que sejamos justificados perante Deus. É consenso entre as regras de fé pontificadas por religiões muito populares, Deus enviou seu inocente filho ao mundo para nos purificar de nossos pecados, o que contradiz a justiça divina a qual não poderia conjugar-se à ideia de que Deus permitiu que alguém imaculado como Jesus tenha levado sobre si uma responsabilidade que compete tão somente a nós. Se mesmo poucos humanos cometeriam o disparate de sacrificar seus respectivos filhos em prol da absolvição dos criminosos de uma penitenciária, tampouco Deus assim agiria, pois Ele é justo e a cada um retribui segundo suas próprias obras.

“Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.
Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono. Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto; E folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis; mas vamos ter com ele. Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele. Chegando, pois, Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura. (Ora betânia distava de Jerusalém quase quinze estádios.) E muitos dos judeus tinham ido consolar a Marta e a Maria, acerca de seu irmão. Ouvindo, pois, Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, ficou assentada em casa. Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto? Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo. E, dito isto, partiu, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está cá, e chama-te. Ela, ouvindo isto, levantou-se logo, e foi ter com ele. (Ainda Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.) Vendo, pois, os judeus, que estavam com ela em casa e a consolavam, que Maria apressadamente se levantara e saíra, seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para chorar ali. Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Jesus pois, quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito, e perturbou-se. E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê. Jesus chorou. Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava. E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse? Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela. Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias. Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora. E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.”
- João 11:11-44

A passagem encerra o relato da ressurreição de Lázaro. Muitos pressupõem, baseado neste trecho do Evangelho de João, que a reencarnação não existe, pois nesta narrativa um cadáver tornou a viver embora seu espírito já devesse estar no plano espiritual ou mesmo em outro corpo físico. Ao meu ver, tudo o que há na Bíblia que não se enquadra nas leis espirituais deve ter seu rótulo de autenticidade eliminado, uma vez que muitos contos ou princípios bíblicos contradizem a razão e os editos divinos. Por conseqüência, convém inferir que o testemunho contido em João 11:11-14 nunca se concretizou, ou, conforme outra hipótese, necessariamente deve ter sofrido uma deturpação ao cabo de sua transmissão. De algo se pode ter certeza quanto ao trecho destacado algures: Jesus não poderia ter obrado algo contrário às leis de Deus, logo qualquer outra hipótese que se destine a explicar o que de fato sucedeu é mais aceitável que acreditarmos que Lázaro realmente ressuscitou.

Há diferentes outros princípios bíblicos aos quais crentes fervorosos na Bíblia estão aderidos e que reprovam a lógica da reencarnação:

“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” - Daniel 12:2

"Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos. - Isaías 26:19

“Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele.” - Oséias 6:2

“Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” - 1 Coríntios 15:21-22

“Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos.” - Atos 24:15

“Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.” - Apocalipse 20:6

Não estando a Bíblia em grande parte acorde com a pluralidade das existências, cumpre-nos rejeitar a sua inspiração divina total, uma vez que a reencarnação consiste em uma lei instaurada por Deus no universo. Se as múltiplas vidas são rechaçadas por versículos bíblicos, segue-se que ela não pode estar dizendo a verdade quanto ao que ocorre após a morte, pois sabemos que Deus não enviou ninguém ao mundo para nos remir dos erros pelos quais nós mesmos teremos de responder. A responsabilidade pelas faltas que cometemos é tão somente nossa e Jesus ou qualquer outra pessoa jamais levaria sobre si o fardo de nossos pecados, como ensina a teologia cristã tradicional. O plano de Deus Pai para a redenção da humanidade é a capacitação que ele nos confiou de aprendermos a fazer aquilo que é certo mediante os princípios de moralidade que Ele decretou.

Aceitar Jesus, acreditar que ele é o redentor de nossas almas ou crer que a Bíblia é a inerrante Palavra de Deus não são critérios para a redenção humana, mas são somente preceitos que a religião outorgou, fazendo com que muitos se olvidassem de que o único caminho para Deus é o esforço que desempenhamos para amortizar as máculas do nosso caráter que imprimem em nós uma egressão do Pai Celeste. Apesar disso, há religiosos que persistem em considerarem a concepção religiosa que pregam a única verdadeira, citando inclusive ensinamentos de Jesus como respaldo para suas doutrinas:

Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" - João 11.25

 
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." - João 14:6

Para mim, não restam dúvidas de que a interpretação das palavras de Jesus que os religiosos promovem é destituída de concordância com o que Cristo pretendeu realmente dizer. Crer em Jesus não significa necessariamente que alguém acredite ser ele quem expiou a sua alma das falhas morais que possui, ao invés disso, o propósito original das palavras do Mestre conforme expressas nos trechos acima é afirmar que quem pratica o que Jesus ensinou herdará a vida eterna e que não existe outro meio de sermos redimidos de nossos defeitos a não ser através do esforço por fazermos o bem. Não é por acaso que certa feita, disse também o Senhor:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” - Mateus 7:2

Não é imprescindível para a humanidade crer que Jesus seja o Senhor do Universo ou o Redentor das almas dos homens, pois o critério que autoriza alguém a adentrar os portões celestiais é fazer a vontade do Pai, isto é, empreender esforços para trilhar os caminhos do bem e das virtudes.

Jesus Cristo jamais estabeleceu através de suas boas novas uma filosofia religiosa exclusivista, segundo a qual todos os que não crerem em um tipo específico de fé serão condenados ao tormento infindo. Em vez disso, ele é o caminho, a verdade e a vida no sentido de que apenas colocando em exercício os seus elevados padrões e valores morais viveremos conforme a vontade de Deus. Assim, ainda que alguém esteja com o seu espírito mortificado pela desonra dos pecados que comete, desde o momento em que se empenha por domar seus maus pendores, essa tal pessoa começa a restaurar-se.

Impugnando o ponto de vista dos partidários de denominações religiosas que menosprezam a doutrina da pluralidade das existências, não existe motivo razoável para se supor que as pessoas que não concordam com um princípio de fé ou aquelas que não vivem pautadas nos dogmas de uma religião ou de um livro sagrado serão condenadas por Deus Pai ao tormento infernal. Querelas religiosas não são critérios que serão requisitados a nós durante o juízo do Deus do Amor.

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