quinta-feira, 7 de março de 2013

Respostas a alguns argumentos cristãos fundamentalistas


Obstáculos ao cristianismo

“Os obstáculos do incrédulo não começam com questionamentos sobre este ou aquele milagre em particular, e sim muito antes. Quando alguém que teve apenas uma educação nos moldes atuais examina uma declaração legitima da doutrina cristã, ele depara com algo que lhe parece uma imagem totalmente “selvagem” ou “primitiva” do universo. Então descobre que Deus supostamente teria tido um “Filho”, como se fosse uma divindade mitológica à semelhança de Júpiter ou Odin. Descobre também que esse “Filho” supostamente “desceu do Céu”, com se Deus tivesse um palácio ali, de onde enviou Seu “Filho” como um paraquedista. É informado, por fim, que esse “Filho”, também supostamente “desceu ao inferno”, uma espécie de terra dos mortos sob a superfície de uma Terra (presumivelmente) plena e “ascendeu” desse lugar outra vez, como por um balão, até o palácio celestial do Pai, onde finalmente se assentou numa cadeira adornada, à direita do Pai. Tudo parece pressupor uma concepção de realidade à qual o aperfeiçoamento de nosso conhecimento tem prontamente recusado nos últimos dois mil anos e à qual nenhum homem honesto e de bom senso poderia retomar hoje. Essa é a impressão que explica o desprezo e até mesmo a aversão de muitas pessoas aos escritos dos cristãos de nossos dias”.

Exato. O próprio autor do texto compromete toda a sua fé ao reconhecer que o cristianismo tradicional é destituído de racionalidade, tendo em vista que toda a sua estrutura está fundamentada em conceitos míticos desprovidos de razão, os quais ele mesmo ressalta em seu texto. Nada tenho a declarar a mais sobre o assunto, pois a dissertação em si expõe o caráter mitológico das doutrinas cristãs ortodoxas.

Impossibilidade da ocorrência de milagres

““Não. É claro que não acredito nisso! Sabemos que é contrário às leis da natureza. As pessoas podiam crer nisso antigamente, porque não conheciam as leis da Natureza, mas agora sabemos que é algo cientificamente impossível.”

O conceito de que o progresso da ciência de alguma forma alterou a questão dos milagres, está intimamente relacionado com a noção de que as pessoas “antigamente” acreditavam em milagres “porque não conheciam as leis da Natureza”. Por isso, ouviremos pessoas afirmarem: “Os primeiros cristãos acreditavam que Cristo era filho de uma virgem, mas sabemos que isso é cientificamente impossível”. Tais pessoas parecem ter a idéia de que a crença em milagres surgiu em um período em que os homens eram tão ignorantes com relação ao curso da Natureza a ponto de não perceber que um milagre seria contrario a ele. Se refletirmos por um momento, perceberemos que isso é uma tolice e a historia do nascimento virginal é um exemplo particularmente surpreendente. Quando José descobriu que sua noiva estava grávida, a decisão de repudiá-la foi natural. Por quê? Porque ele sabia tão bem quanto qualquer ginecologista moderno que, pelo curso da Natureza, as mulheres só engravidavam quando têm relações sexuais com um homem. É óbvio que os ginecologistas modernos conhecem muito mais coisas do que José conhecia, mas esse não é o centro da questão: Que um nascimento virginal é contrario ao curso da Natureza. José obviamente sabia disso. Em qualquer sentido que hoje fosse verdadeiro afirmar: “Isso é cientificamente impossível”, ele teria dito o mesmo. Isso sempre foi impossível e considerado uma impossibilidade, A NÃO SER QUE os processos normais da Natureza estivessem, nesse caso em particular, sendo dominados ou alterados por algo além dela. Quando José finalmente aceitou a idéia de que a gravidez de sua prometida não era fruto de infidelidade, mas de um milagre, ele aceitou o milagre como algo contrario à ordem conhecida da Natureza. Todos os milagres ensinam-nos a mesma coisa. Em tais historias, eles provocam medo e admiração (é justamente o que o próprio termo Milagre implica) entre os espectadores e são considerados evidencias de um poder sobrenatural. Se não fossem encarados como contrários às leis da Natureza, como poderiam sugerir a presença do sobrenatural? Como poderiam surpreender se não fossem vistos como exceções à regra? E como algo pode ser considerado exceção até que as regras sejam conhecidas? Se houvesse alguém que não conhecesse absolutamente nada sobre as leis da Natureza, não teria a mínima idéia do que seria um milagre nem sentiria qualquer interesse particular se um deles lhe ocorresse. Nada parece extraordinário até que se conheça o ordinário.”

O conceito de milagre implica que haja uma derrogação das leis naturais. Deus é o autor das Leis que governam o Universo e nem mesmo ele as viola ou suspende, pois não existe essa necessidade, já que as Leis da Natureza por Ele implementadas são perfeitas e não demandam que sejam em qualquer situação anuladas. Mesmo que caso não conheçamos por enquanto todas as regras que regem o Universo, não se segue daí que podemos presumir que os milagres possam existir, porquanto tais princípios outrossim não podem ser sustados pelo próprio Deus, que os formulou. Destarte, a doutrina do nascimento virginal, por consistir em um dogma que pressupõe um evento contrário às leis da Natureza, não pode ser verdadeiro assim como o episódio conhecido como ressurreição de Cristo também não deve receber o atributo de ser prodigioso, porque são relatos miraculosos. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário