quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A ira e a vingança de Jeová

A Bíblia retrata um modelo divino segundo o qual existe um Deus iracundo, que desola o seu povo quando este não age conforme os seus preceitos. Com atrocidades e maldições, extermina todos os que se recusam a viver sujeitos aos seus mandamentos, ou os reprime com suplícios terríveis como lepra e tísica. Contudo, creio que Deus é pleno amor e justiça, por essa razão é incoerente afirmar que as medidas que Jeová sancionou para punir o seu povo são moralmente corretas. Ora, Deus é amor, portanto os meios com os quais repreende as pessoas de acordo com os relatos bíblicos, não podem ser considerados verdadeiramente inspirados, uma vez que Deus não pune ninguém matando ou torturando, ao invés disso, ele nos corrige para que galguemos os degraus de nossa escala moral.

 

A princípio, quiçá as afirmações que fiz provoquem o anseio por provas que concedam fundamento ao que digo. A Bíblia é a fonte das conclusões que teci em meus comentários precedentes, por isso, citarei as passagens que explicitam que Jeová é um ser que tem tendências a irar-se e que se compraz na vingança. Se Deus é perfeito, certamente Ele não é o deus bíblico.

 

1. Jeová, conforme as Escrituras, deixa-se induzir pela ímpia emoção da ira todos os dias. O escritor dessa passagem, que supostamente foi Davi, a complementou destacando que Deus é “juiz justo” apesar do absurdo que logo em seguida alega:

 

“Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias” - Salmos 7:11

 

2. Moisés esteve à mercê da fúria ardente de Jeová meramente em função de o profeta não desejar ter assumido a missão que o deus da Bíblia impôs a ele sem o seu consentimento.:

 

E disse-lhe o SENHOR: Quem fez a boca do homem? Ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o SENHOR? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar. Ele, porém, disse: Ah, meu Senhor! Envia pela mão daquele a quem tu hás de enviar. Então se acendeu a ira do SENHOR contra Moisés, e disse: Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele falará muito bem; e eis que ele também sai ao teu encontro; e, vendo-te, se alegrará em seu coração. E tu lhe falarás, e porás as palavras na sua boca; e eu serei com a tua boca, e com a dele, ensinando-vos o que haveis de fazer. E ele falará por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus. - Êxodo 4:11-16

 

3. A ira de Jeová é de tal maneira periclitante e obstinada que o mesmo anelou por consumir brutalmente o seu próprio povo pelo fato de este contrariar seus mandados. A disciplina de Jeová consiste em severos castigos e punições, que denotam uma desenfreada cólera que provém desse deus:

 

Disse mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que o meu furor se acenda contra ele, e o consuma; e eu farei de ti uma grande nação. - Êxodo 32:9-10

 

Pouco depois, Moisés retorquiu a Jeová e o censurou, o que o persuadiu a arrepender-se do desejo de causar o mal ao seu povo. O profeta induziu o deus a quem servia a rememorar-se das promessas, convênios e dos feitos que propiciou aos judeus. Dessa forma, Jeová desistiu do plano de destruir os israelitas concordando com os argumentos de Moisés:

 

“Moisés, porém, suplicou ao SENHOR seu Deus e disse: O SENHOR, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mão?
Por que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes, e para destruí-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira, e arrepende-te deste mal contra o teu povo. Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, os teus servos, aos quais por ti mesmo tens jurado, e lhes disseste: Multiplicarei a vossa descendência como as estrelas dos céus, e darei à vossa descendência toda esta terra, de que tenho falado, para que a possuam por herança eternamente. Então o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.
- Êxodo 32:11-14

 

O texto acima explicita claramente que o deus bíblico é volúvel e que os seus projetos podem modificar-se em conformidade com argumentos de reles humanos, os quais são, segundo a passagem supracitada, são ainda os homens capazes de persuadir o próprio deus a reformular os seus conceitos. No entanto, o Deus verdadeiro é portador de toda sabedoria e conhecimento, jamais podendo sujeitar-se, pois, a qualquer tipo de argumentação que se origina na mente humana.

 

4. Jeová, ao envolver-se em uma intriga entre Moisés, Arão e Miriã, se inflamou a sua ira contra esta última. Por conseguinte, Miriã sofreu as conseqüências do rancor de Javé e foi amaldiçoada por ele com uma grave lepra:

 

“Ora, falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cuchita que este tomara; porquanto tinha tomado uma mulher cuchita. E disseram: Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós? E o Senhor o ouviu. Ora, Moisés era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra. E logo o Senhor disse a Moisés, a Arão e a Miriã: Saí vos três à tenda da revelação. E saíram eles três. Então o Senhor desceu em uma coluna de nuvem, e se pôs à porta da tenda; depois chamou a Arão e a Miriã, e os dois acudiram. Então disse: Ouvi agora as minhas palavras: se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, a ele me farei conhecer em visão, em sonhos falarei com ele. Mas não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa; boca a boca falo com ele, claramente e não em enigmas; pois ele contempla a forma do Senhor. Por que, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés? Assim se acendeu a ira do Senhor contra eles; e ele se retirou; também a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã se tornara leprosa, branca como a neve; e olhou Arão para Miriã e eis que estava leprosa.” – Números 12:1-10

 

Este evento narrado pelas Escrituras avaliza a asserção de que o deus bíblico age movido pelo desejo não de ensinar aos seus filhos uma correção através de uma emenda salutar, em vez disso, inocula na saúde do seu povo a pestilência e a enfermidade. Em casos mais extremos, assassina-os. O Deus verdadeiro não pode ser Jeová, uma vez que o primeiro, embora detenha em si o poder de liquidar a vida de qualquer ser humano, não o faz em razão de em seu caráter não existir o atributo de um assassino que elimina vidas por motivos burlescos qual o descrito em Números 12:1-10.

 

5. Jeová, movido por voraz ira e anseio por castigar o seu povo de modo virulento, fez fender o solo onde estavam situados muitos dos que eram parte de Israel, para consolidar a sua justiça arbitrária e tirana contra os judeus que o haviam desobedecido. O verdadeiro Deus, em contrapartida, não age de modo brutal qual Jeová executa os seus juízos, ao invés disso, o Pai Celestial estabeleceu no Universo a Lei de Causa e Efeito, segundo a qual todo homem ceifa aquilo que semeia. O Pai Bendito não fende a terra para lançar almas ao Seol de modo que assim sejam punidas, Ele deixa que o homem receba em si mesmo a conseqüência dos males que obra com o fim de que seu caráter seja emendado ao longo de sua evolução espiritual:

 

“Subiram, pois, do derredor da habitação de Corá, Datã e Abirão. E Datã e Abirão saíram, e se puseram à porta das suas tendas, juntamente com suas mulheres, e seus filhos e seus pequeninos. Então disse Moisés: Nisto conhecereis que o Senhor me enviou a fazer todas estas obras; pois não as tenho feito de mim mesmo. Se estes morrerem como morrem todos os homens, e se forem visitados como são visitados todos os homens, o Senhor não me enviou. Mas, se o Senhor criar alguma coisa nova, e a terra abrir a boca e os tragar com tudo o que é deles, e vivos descerem ao Seol, então compreendereis que estes homens têm desprezado o Senhor. E aconteceu que, acabando ele de falar todas estas palavras, a terra que estava debaixo deles se fendeu; e a terra abriu a boca e os tragou com as suas famílias, como também a todos os homens que pertenciam a Corá, e a toda a sua fazenda. Assim eles e tudo o que era seu desceram vivos ao Seol; e a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação,” Números 16:27-33

 

6. Em decorrência de Israel ter se envolvido sexualmente com as filhas de Moabe e exercido o direito de escolher seguir uma religião alheia ao Judaísmo por terem servido a deuses diferentes de Jeová, este por sua vez teve a sua ira incitada pelos israelitas, os quais foram executados por um enforcamento ordenado por Jeová. Deveras, o deus bíblico se deixa induzir pela ira em diversas narrativas das Escrituras, o que indica que o seu humor é bastante suscetível de se encolerizar levando-o a implementar as mais bárbaras punições.

 

Ora, Israel demorava-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas de Moabe, pois elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses. Porquanto Israel se juntou a Baal-Peor, a ira do Senhor acendeu-se contra ele. Disse, pois, o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças do povo, e enforca-os ao senhor diante do sol, para que a grande ira do Senhor se retire de Israel.” – Números 25:1-4

 

Graças ao Deus verdadeiro nosso planeta não é regido por um tirano espiritual como Jeová.

 

7. Jeová não tem respeito pela liberdade religiosa de seu povo, o que o leva a imprimir severos castigos e punições sobre seus próprios escolhidos. No trecho a seguir, Javé tem o seu furor despertado devido ao culto que muitos prestaram a outros deuses. Jeová de tal maneira se sente irado que afirma que a sua fúria jamais cessará. Tal afirmativa não poderia proceder do verdadeiro Deus, já que em sua natureza não existe ira de qualquer tipo, mas somente justiça e amor, tampouco o Criador seria capaz de trazer males a alguém, como versa o texto bíblico. Ademais, para o Pai Celestial a religião de uma pessoa não é fator essencial para a sua redenção, mas tão somente o empenho que empreende com o objetivo de aperfeiçoar-se moralmente, malgrado qual seja a sua posição religiosa.

 

“Assim diz o Senhor: Eis que trarei males sobre este lugar e sobre os seus habitantes, conforme todas as palavras do livro que o rei de Judá leu. Porquanto me deixaram, e queimaram incenso a outros deuses, para me provocarem à ira por todas as obras das suas mãos, o meu furor se acendeu contra este lugar, e não se apagará.”2 Reis 22:16-17

 

8. O deus bíblico projetou guerras contra Amaleque ao cabo de gerações. É uma notória blasfêmia asseverar que o Deus verdadeiro perpetraria tamanho desatino cujo fim é destruir milhares de pessoas, dentre elas muitos bebês e mulheres grávidas inocentes que se encontram entre o povo alvo de ataques comandados por Jeová. Deus não provoca guerra alguma, são os homens que causam-na usando o nome do Criador para tentar justificar as desditas que obram uns contra os outros. Deus é amor, portanto não é o Senhor dos Exércitos, conforme declara a Bíblia.

 

“E disse: Porquanto jurou o Senhor que ele fará guerra contra Amaleque de geração em geração.” Êxodo 17:16

 

O intuito de Jeová ao ter proclamado contendas contra Amaleque por gerações foi vingar-se da tentativa de o mesmo ter impedido Israel de ter subido do Egito. Se Jeová fosse justo, implicaria que a sua medida corretiva estivesse em conformidade com a gravidade do delito exercido por Amaleque. No entanto, a punição que Javé engendrou contradiz totalmente a sua suposta natureza benéfica, tendo em vista que conforme a passagem seguinte, ele ordena que Amaleque seja completamente destroçado, até mesmo meninos e crianças de peito. Nem mesmo os animais escaparam das garras trevosas de Jeová:

 

“Assim diz o Senhor dos exércitos: Castigarei a Amaleque por aquilo que fez a Israel quando se lhe opôs no caminho, ao subir ele do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos.”1 Samuel 15:2-3

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